Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Santa Casa agora atrasa pagamento de pessoal

Entidade diz que 8% dos funcionários não receberam salário; parte do 13º não foi paga

Fabiana Cambricoli e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Parte dos funcionários da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo voltou a ficar sem pagamento nesta sexta-feira, 5. Após deixar de pagar a primeira parcela do 13.º salário na semana passada, a instituição não fez o depósito dos valores do mês de dezembro para os trabalhadores com remuneração acima de R$ 6.500, o que inclui grande parte dos médicos. Os vencimentos são sempre pagos no quinto dia útil do mês.

Entre segunda e terça-feira, várias categorias de trabalhadores da Santa Casa se reuniram para definir se entrarão em greve. O atraso no pagamento foi revelado em e-mail entre diretores obtido pelo Estado. E confirmado pela assessoria de imprensa da Santa Casa na tarde desta sexta.


Em nota, a entidade afirmou que, diante da crise financeira, quis “dar prioridade à continuidade da assistência hospitalar e aos funcionários com salários mais baixos”. De acordo com a Santa Casa, apenas 8% dos funcionários ficaram sem salário nesta sexta, o que representa cerca de 560 trabalhadores. 

Os demais, segundo a Santa Casa, tiveram o pagamento depositado. Até as 19 horas, porém, os trabalhadores não haviam recebido o dinheiro em suas contas bancárias. Eles foram informados de que o valor cairia até meia-noite. Os 8% de trabalhadores atingidos pelo atraso no pagamento deverão receber o salário na próxima semana, segundo a entidade.

Ainda não há previsão de quando a primeira parcela do 13.º salário será paga. Ela deveria ter sido depositada no dia 28 de novembro, mas apenas funcionários com salários de até R$ 3 mil receberam parte da primeira parcela.

Presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti criticou o fato de a Santa Casa não ter feito o pagamento do salário de todos os funcionários. “A Santa Casa está criando um problema trabalhista em virtude de sua dificuldade financeira e colocando o peso desse problema no trabalhador. Há um rompimento dos direitos trabalhistas.” Até as 16 horas desta sexta, segundo Gatti, havia médicos que não tinham recebido o pagamento. “Pagando ou não, já tem uma pendência”, disse, referindo-se ao atraso no 13.º salário.

Um enfermeiro da unidade, que preferiu não ser identificado, verificou seu saldo bancário ao longo da tarde desta sexta e ficou frustrado ao constatar que não havia recebido o salário. “Não recebi o 13.º nem o pagamento. A coisa está feia. Sempre sai entre a meia-noite do dia 4 e o quinto dia útil, mas ligamos para o RH e não deram previsão.” 

Crise. Com dívidas de mais de R$ 400 milhões, a Santa Casa enfrenta crise financeira que se agravou a partir de julho, quando a instituição fechou por 30 horas o Pronto-Socorro do Hospital Central, no centro de São Paulo.

O serviço só foi reaberto após a Secretaria Estadual da Saúde repassar de forma emergencial R$ 3 milhões à entidade. A pasta realizou auditoria nas contas da Santa Casa. A análise apontou falhas na gestão. Agora, o governo do Estado aguarda resultado de uma auditoria realizada por uma empresa independente nas contas da instituição.

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