Santa Casa amanhece com poucos pacientes e sem filas nesta quinta

Pacientes que tinham exames marcados para esta quarta-feira têm uma semana para realizá-los, tendo que apresentar o comprovante

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

24 Julho 2014 | 09h47

Atualizado às 16h12

SÃO PAULO - Desde as 22h da quarta-feira, já não se viam mais as faixas com aviso do fechamento do Pronto-Socorro nos portões da Santa Casa de Misericórdia, no centro da cidade. Mas o movimento de pacientes, esperados em grande número no primeiro dia de reabertura, não se confirmou. Até as 10h, houve apenas 45 atendimentos. Pouco, frente às 360 pessoas que a Unidade Central costuma receber diariamente. Nos prontos-socorros da ortopedia e da pediatria, foram registrados 21 e 18 casos, respectivamente. Somando todos os PSs do complexo, a média é de 1,2 mil pacientes por dia .

Com poucos pacientes aguardando na recepção do Pronto-Socorro Central, o operador de máquina Flávio Oliveira, de 38 anos, conseguiu sair da Santa Casa em menos de meia hora. "O atendimento foi muito bom", conta. Ele afirma que, durante a manhã desta quinta-feira, procurou a unidade porque sentia um incômodo nos olhos, provavelmente por uso frequente de máquina de solda. 

A realização de exames e cirurgias eletivas também voltou a funcionar após a paralisação da quarta-feira - quando apenas 4 mil pacientes foram atendidos na Santa Casa. Em média, 10 mil pessoas recorrem todos os dias à Santa Casa. Na entrada da Rua Dona Veridiana, um cartaz do hospital indicava onde as pessoas poderiam buscar informações sobre as consultas, cirurgias e exames cancelados, que estavam sem previsão de reagendamento. 

"Quando soube que tinham parado de atender algumas pessoas, fiquei muito preocupada", diz a dona de casa Maria Aparecida Santos, de 63 anos, que trouxe o neto, Ricardo de Jesus, de 8 anos, para fazer um exame de sangue. Há quatro meses, o garoto não vai à escola. As dores provocadas por artrite e reumatismo o fazem andar, a muito custo, com os ombros arqueados e o quadril ligeiramente inclinado para trás. O exame feito nesta quinta é importante para a continuidade do tratamento. "Eu não sei o que seria se ele não pudesse fazer", comenta a avó.

Menos sorte teve a paciente Ângela Cristina, de 57 anos, que há um ano não consegue receber o resultado de uma tomografia de braços e mão. Segundo ela, o exame foi feito em julho de 2013 na própria Santa Casa e tem sido requisitado pelo hospital  para o próximo passo, uma consulta com especialista. Na quarta-feira, tentou receber o resultado do exame mas, por causa da paralisação, não conseguiu entrar na unidade. Nesta quinta, não conseguiu ir para a consulta, que diz ter marcado há seis meses, porque não tinha o resultado do exame.

De acordo com a assessoria de imprensa da Santa Casa, os pacientes que tinham exames marcados mas não foram atendidos no dia da paralisação têm uma semana para realizá-los. Basta mostrar o comprovante de agendamento. No entanto, todas as cirurgias eletivas terão de ser remarcadas. E os pacientes prejudicados não vão ter, necessariamente, prioridade. Segundo a assessoria, o hospital vai "analisar caso a caso para redefinir a agenda".

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