GABRIELA BILO/ ESTADAO
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Santa Casa de SP quer pagar salário atrasado em agosto

Débitos também seriam divididos em 36 parcelas, segundo proposta apresentada em audiência de conciliação com sindicatos

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Após atrasar para parte dos seus funcionários os pagamentos de novembro do ano passado e do 13.º salário, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo quer agora regularizar os débitos somente a partir de agosto e divididos em 36 parcelas. A entidade, que administra o maior complexo hospitalar filantrópico da América Latina, vive crise financeira e acumula déficit superior a R$ 400 milhões.

A proposta foi feita pela direção da Santa Casa aos sindicatos que representam os trabalhadores da instituição em audiência de conciliação realizada na manhã desta quinta-feira, 19, na Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego, em São Paulo. Estavam presentes no encontro representantes sindicais das três categorias que atuam na instituição: médicos, enfermeiros e demais profissionais dos hospitais, tanto da área da saúde quanto dos setores administrativos.

O pagamento dos débitos só será feito antes caso a Santa Casa consiga vender um imóvel avaliado em R$ 60 milhões na Avenida Paulista. De acordo com o Ministério do Trabalho, o valor da venda seria suficiente para quitar os débitos trabalhistas. Na reunião, a Santa Casa informou que as dívidas com os funcionários somam R$ 46 milhões se incluídas as multas pelo atraso no pagamento. A instituição propôs a criação de uma comissão com representantes dos sindicatos para acompanhar o processo de negociação do imóvel.

Os sindicalistas presentes não saíram satisfeitos da reunião, mas se comprometeram a apresentar a proposta às respectivas categorias em assembleias agendadas para esta sexta. “Há meses os funcionários aguardam o pagamento de seus salários em decorrência da crise financeira da Santa Casa. Essa nova proposta deve ser analisada com cautela”, disse Eder Gatti, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

O atraso do salário de novembro não afetou todos os cerca de 7 mil funcionários do complexo hospitalar, somente os que recebem valores mais altos, acima de R$ 6 mil.

O pagamento do 13.º salário, no entanto, afetou todos os trabalhadores, pois mesmo quem tem remuneração mais baixa recebeu apenas R$ 300 da primeira parcela. Já os que ganham acima de R$ 3 mil não receberam nem um centavo do benefício pago no fim do ano.

Mesmo se não aceitarem a proposta da Santa Casa, os sindicatos não decretarão greve pelo menos até o dia 25, quando uma nova audiência de conciliação será realizada.

Justiça. Paralelamente às negociações no Ministério do Trabalho, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de São Paulo (SinSaudeSP) entrou na Justiça do Trabalho para exigir o pagamento dos benefícios atrasados. O julgamento estava marcado para a tarde desta quinta, mas foi adiado porque a Santa Casa pediu mais tempo para a defesa.

A juíza Danielle Viana Soares, da 41.ª Vara Trabalhista, deu prazo até o dia 27 de março para que a instituição junte a defesa aos autos. O julgamento do caso foi remarcado para o dia 24 de abril.

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