Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Santa Casa deve cortar 1.300 funcionários em reestruturação

Medida representará R$ 4 milhões de economia por mês; ontem, o governo do Estado anunciou novo repasse emergencial, de R$ 3 mi

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

24 Dezembro 2014 | 18h00

A Santa Casa de São Paulo deverá demitir cerca de 1.300 funcionários como parte de um plano de reestruturação. A medida foi elaborada pela nova superintendência para enfrentar a crise financeira vivida pela instituição filantrópica. As demissões, que representam quase um quinto do número total de trabalhadores, vão afetar principalmente a área administrativa, na qual há mais funcionários do que o necessário, de acordo com a direção da Santa Casa.

A reestruturação na política de recursos humanos será uma das medidas que o novo superintendente da instituição, Irineu Massaia, no cargo há três meses, adotará para reduzir os custos operacionais da entidade, que acumula déficit de mais de R$ 400 milhões.

“Temos 65% dos nossos custos com folha de pagamento. Se aumenta o número de funcionários, mas não aumenta a produção, a gente tem de rever isso. Do pessoal assistencial (profissionais de saúde), é capaz que tenhamos de contratar mais gente. Agora, o administrativo pode ser reduzido e muito, o equivalente a 20% da folha de pagamento, que se traduz em R$ 4 milhões de economia por mês”, disse Massaia ontem. Em número de funcionários, o corte deverá afetar 18% dos 7.194 trabalhadores da Santa Casa, o que representa quase 1.300 pessoas.

Excesso. Auditoria externa contratada pela Secretaria Estadual da Saúde e apresentada há duas semanas mostrou que a Santa Casa tem taxa de 21 funcionários por leito, quando a média em outros hospitais é de cinco trabalhadores por leito.

Pelo plano de reestruturação, a Santa Casa, que hoje gasta R$ 30 milhões mensais com os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), deverá reduzir suas despesas para R$ 22 milhões. Além dos R$ 4 milhões que deverão ser cortados da folha de pagamento com as demissões, o superintendente pretende reduzir custos em contratos. “Só com a Logimed, que fornece materiais e medicamentos, dá para economizar R$ 3 milhões. Já temos R$ 7 milhões a menos mexendo em duas coisas”, disse ele.

As demissões são vistas com preocupação pelo SinSaúdeSP, que representa técnicos de enfermagem e funcionários administrativos. “Eles não podem fazer isso sem conversar com o sindicato e apresentar provas de que há funcionários sobrando, senão vai caracterizar demissão em massa e entraremos na Justiça”, diz Maria de Fátima Neves de Souza, diretora do departamento jurídico do sindicato. Ela disse que o assunto deverá ser abordado em reunião da categoria com a Santa Casa, no dia 7 de janeiro.

Massaia não detalhou quando as demissões serão efetivadas, mas adiantou que vai mexer em outras despesas da folha de pagamento. “Há medidas como redução de salários e enxugamento de diretorias. Não tem mais mordomia, cafezinhos e almoços na superintendência.”

O superintendente disse ainda que a Santa Casa estuda devolver às prefeituras de São Paulo e Guarulhos as 27 unidades de saúde municipais hoje administradas pela entidade por convênio. A medida está sendo negociada com as prefeituras.

Repasse. Ontem, a Secretaria Estadual da Saúde anunciou novo repasse emergencial de R$ 3 milhões para ajudar a instituição a arcar com despesas básicas, como materiais e medicamentos, por um mês. O dinheiro vai socorrer o hospital até que a Caixa libere R$ 44 milhões de um empréstimo cuja negociação está quase concluída. A verba deverá sair em janeiro.

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