Santa Casa do Pará, com 22 mortes, está sob intervenção

Grupo de interventores fará um levantamento da mortalidade perinatal em todo o Pará

Carlos Mendes , O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2008 | 18h11

A morte de 22 bebês em menos de 15  dias na UTI neonatal da Santa Casa de Misericórdia do Pará - um casal de gêmeos já nasceu morto na madrugada deste domingo - levou a governadora Ana Júlia Carepa a determinar no sábado uma intervenção no hospital e a demissão do diretor, Anselmo Bentes. A nova diretora, Maria Silvia Comaru, assume o cargo nesta segunda-feira pela manhã com a missão de tomar providências imediatas para resolver graves problemas, como ampliação de leitos para gestantes e berçários de recém-nascidos, além da ampliação do quadro médico. Veja também:Após mortes, diretor da Santa Casa do Pará deixa o cargoSobe para 20 o número de bebês mortos na Santa Casa do Pará Bentes informou não ter sido demitido e sim que teria pedido demissão por não encontrar mais clima para permanecer no hospital diante dos últimos acontecimentos. Silvia Comaru adiantou que o número de leitos na UTI neonatal será ampliado, passando de 22 para 42. Ela disse que serão contratados dez leitos na Maternidade do Povo e mais dez na clínica Mamarray, dois hospitais particulares de Belém. Uma comissão de médicos irá aos dois hospitais avaliar as condições do local para que as novas UTis comecem a funcionar ainda no decorrer desta semana. A secretária estadual de Saúde, Laura Rossetti, adiantou que o grupo de interventores, constituído por especialistas em saúde, médicos e engenheiros, fará um levantamento da mortalidade perinatal em todo o Pará. Rosseti deu prazo para que até o dia 5 próximo esse trabalho esteja concluído. "Precisamos humanizar a relação com as mães que perderam seus bebês. Sou mãe, assim como muitas médicas que trabalham na Santa Casa e me coloco na situação das mães daquelas crianças. Nosso compromisso é salvar vidas", acrescentou Rosseti. A mãe dos bebês gêmeos de oito meses que morreram na Santa Casa, Micheli Diniz Progênio, de 18 anos, residente no município de Muaná, no arquipélago do Marajó, contou que começou a sentir fortes dores na segunda-feira, quando foi internada no hospital. O médico que a atendeu em Muaná recomendou que ela fosse submetida a cirurgia. Ela ficou até quinta-feira, mas foi liberada pelo médico da Santa Casa, que não teria visto necessidade de sua permanência no hospital. As dores voltaram ainda mais fortes e Micheli, que tinha ficado na casa de parentes em Belém, retornou à Santa Casa. Desta vez, a cirurgia foi realizada, mas os bebês já estavam mortos no útero de Micheli.

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