Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Santa Casa reabre PS após socorro do Estado, que exige auditoria

Secretário diz que novos repasses estão condicionados à análise das finanças da entidade, mas provedor afirma que governo se comprometeu a assumir toda a dívida, de R$ 50 milhões

Adriana Ferraz, Fabiana Cambricoli, Fabio Leite e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2014 | 22h02

Atualizada às 23h30

SÃO PAULO - A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo anunciou, na tarde desta quarta-feira, 23, a reabertura do pronto-socorro, fechado cerca de 24 horas antes por falta de recursos para a compra de material e de medicamentos. As vans com material para atendimento da emergência, três no total, chegaram às 21h50 e, 5 minutos depois, os portões foram reabertos.

A decisão foi tomada depois de a Secretaria Estadual da Saúde liberar um repasse emergencial de R$ 3 milhões para que a entidade retomasse o atendimento de urgência e emergência. A verba extra veio acompanhada de uma exigência do governo do Estado: a realização de uma auditoria nas contas.

O fechamento do pronto-socorro foi motivado por uma dívida de R$ 50 milhões que a Santa Casa acumulou com seus fornecedores de insumos. Sem pagamento, as empresas deixaram de entregar material e medicamentos para a unidade, impossibilitando, assim, o atendimento de urgência e emergência e a realização de exames e cirurgias eletivas, que também foram interrompidos nesta quarta.

O anúncio do repasse emergencial foi feito pela manhã pelo secretário estadual da Saúde, David Uip. Secretaria e Santa Casa se reuniram no final da tarde e acertaram a reabertura do serviço, responsável por 1,2 mil atendimentos diários.

Ao sair da reunião, o provedor da Santa Casa, Kalil Rocha Abdalla, afirmou que o governo se comprometeu a pagar o valor total da dívida com os fornecedores. “Entendo que essa quantia (R$ 3 milhões) é insignificante no momento, mas vai haver complementação em diversos pagamentos. Vamos tentar agora manter o pronto-socorro aberto e acertar com os fornecedores”, disse ele, que informou que os repasses estaduais seriam mensais. 

A declaração, porém, contrariava o que o secretário havia dito pela manhã e o que voltou a ser divulgado pela assessoria de imprensa da pasta no início da noite. De acordo com a secretaria, novos repasses emergenciais para a Santa Casa só serão autorizados após a análise das contas da entidade.

“A crise financeira não foi só um problema de subfinanciamento do (Sistema Único de Saúde) SUS. Temos de avaliar a gestão do dinheiro”, disse Uip. “Estou pedindo há meses a abertura das contas da Santa Casa”, afirmou ele, ao sugerir que a auditoria seja feita com representantes das três esferas de governo, federal, estadual e municipal.

De acordo com o secretário, embora o SUS só financie de 40% a 60% de cada procedimento, os repasses extras do governo do Estado seriam suficientes para cobrir os custos da Santa Casa.

Contas. Uip apresentou dados diferentes dos divulgados pela instituição no dia anterior. Ele afirmou que, só em 2013, a Santa Casa recebeu dos governos federal e estadual R$ 414 milhões - uma média mensal de R$ 34 milhões. Abdalla havia afirmado, no dia do fechamento do PS, que o repasse governamental para a Santa Casa era de R$ 20 milhões mensais.

“Nós contestamos esse valor apresentado pela secretaria”, disse ele, sem explicar as diferenças entre as informações.

Abdalla se limitou a dizer que é favorável à realização da auditoria proposta pelo governo do Estado. “As contas estão abertas. Eu mesmo tenho o maior interesse que venham (fazer a auditoria) para se mostrar a lisura com que se trabalha aqui na Santa Casa. Nós temos condições de mostrar, não há problema nenhum, e vamos mostrar”, disse ele, depois da reunião com a pasta.

O provedor disse ainda que está em processo de negociação da dívida total da entidade com os bancos, no valor de R$ 300 milhões. “Nós estivemos no início do mês no BNDES e eles nos pediram um projeto. Estamos elaborando, contratamos uma firma de auditoria que está preparando a documentação desse projeto”, afirmou.

Mais cedo, ainda pela manhã, o provedor recusou ajuda da Prefeitura de São Paulo, que se ofereceu para fornecer os materiais de uso básico necessários para o funcionamento do pronto-socorro por uma semana. A entidade diz ter recusado a doação por não considerá-la suficiente para manter o pronto-socorro aberto. 

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