Santa Casa tem gastos indevidos com salários, aponta auditoria

Santa Casa tem gastos indevidos com salários, aponta auditoria

De acordo com documentos obtidos pelo 'Estado', um dos problemas detectados foi o pagamento indevido de adicionais de insalubridade

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2014 | 20h37

SÃO PAULO - Além de firmar contratos com sobrepreço, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo também teve gastos indevidos com a folha de pagamento nos últimos cinco anos, segundo novos dados da auditoria realizada pela empresa BDO, contratada pela Secretaria Estadual da Saúde.

Em crise financeira e com dívida que supera os R$ 820 milhões, a instituição filantrópica teve suas contas analisadas por auditoria independente, cujos resultados foram apresentados para a direção da entidade nesta semana.

De acordo com documentos da auditoria obtidos pelo Estado, um dos problemas detectados na política de recursos humanos foi o pagamento indevido de adicionais de insalubridade. Entre 2009 e 2014, o valor gasto pela entidade com o benefício aos funcionários do Hospital Central cresceu 74%. A auditoria concluiu que dos R$ 56 milhões gastos pela Santa Casa com esse adicional em cinco anos, R$ 14 milhões, ou 25% do total, foram indevidos.

Outro problema detectado foi a alta no pagamento de horas extras. No mesmo período analisado, o valor gasto com esse tipo de despesa saltou 66%. Os auditores encontraram 113 casos em que os funcionários receberam por mais horas extras do que permitido em lei.

Em um dos casos, um funcionário com cargo de auxiliar de esterilização recebeu por 176 horas extras no mês, o que dá uma média de oito horas extras por dia considerando a média de 22 dias úteis. A legislação permite que um trabalhador faça até duas horas extras diárias.

Os auditores verificaram ainda a existência de 26 funcionários com salários entre R$ 20 mil e R$ 50 mil. Há ainda o caso de um médico aposentado com remuneração de R$ 43 mil.

Procurada, a Santa Casa informou que a nova superintendência da instituição, que assumiu o controle da entidade em setembro, recebeu os números da auditoria na última quinta-feira e "ainda não teve tempo para se aprofundar na análise e fazer uma leitura em detalhes dos números". Disse ainda que a nova gestão "se compromete a apurar qualquer irregularidade" que possa existir na instituição, adotando as medidas necessárias.

Outras falhas. Resultados da auditoria divulgados durante a semana já haviam apontado superfaturamento em contratos e crescimento da dívida da instituição.

Uma das irregularidades encontradas foi o pagamento de preço cinco mil vezes maior ao de mercado por um medicamento.

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