Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Santa Casa terá médico terceirizado, diz provedor

Hospital de referência de SP usará nova regra trabalhista para mudar regime de contratação

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 03h00

SÃO PAULO - A Santa Casa de Misericórdia, um dos principais hospitais da capital paulista, iniciou negociações para terceirizar o trabalho dos médicos que atendem nos departamentos da unidade. Usando novos dispositivos da Reforma Trabalhista, a ideia, segundo a administração da Santa Casa, é manter os níveis de atendimento, reduzindo custos com a folha salarial.

A informação foi confirmada ao Estado pelo provedor da Santa Casa, Antônio Penteado Mendonça, após um dia em que circularam pelos corredores do centro médico supostas notícias sobre um plano de demissões, que atingiria até cem funcionários, especialmente no pronto-socorro e nas Unidades de Terapia Intensivas (UTIs). Os boatos vieram a partir de uma reunião, que estaria marcada para ocorrer nesta sexta-feira, 15, envolvendo profissionais dessa área. O provedor negou plano de demissões em massa.

“O que está havendo é uma negociação, com o sindicato (dos médicos), que será homologada pela Justiça”, disse Mendonça. Segundo ele, a ideia é que o regime de trabalho da entidade com os médicos seja de terceirização, o que permitiria à Santa Casa pagar, por exemplo, por procedimentos realizados em vez de fazer desembolsos por hora.

Segundo Mendonça, em outras Santas Casas, a média é de 4,5 funcionários por leito. “Mas, aqui, esse número seria o dobro.” Parte dos profissionais seria realocado em setores que, para o provedor, estariam com pouco pessoal. O objetivo é também usar o dinheiro economizado para melhorar os serviços oferecidos. Nos últimos anos, o hospital tem enfrentado dificuldades financeiras. 

Boatos

Dentre os médicos ouvidos pelo Estado, que também reclamam da falta de insumos e remédios, um deles chegou a citar um rumor de que uma nova entidade assumiria a gestão dos médicos, terceirizando o serviço, a partir do dia 1.º. As informações passadas pelo provedor são diferentes: diz que ainda não há definição de datas, uma vez que o diálogo está apenas começando.

O gestor afirma também que ainda não está definido o número de profissionais que migraria para o novo regime trabalhista, uma vez que isso ainda seria negociado com os representantes sindicais. “Para a população, não haverá nenhuma mudança”, afirmou. 

Em nota, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) disse que “a filantrópica aventou a possibilidade de demissões de médicos em seu corpo clínico em um futuro próximo” e “a Santa Casa se comprometeu a não realizar demissões, sem antes avançar as discussões sobre o tema”.

Para lembrar

A mudança administrativa vem na esteira de um problema de financiamento crônico do maior serviço de portas abertas do centro. Em 2016, o hospital interrompeu cirurgias eletivas (não emergenciais) por falta de recursos.

Os primeiros sinais de crise datam da década de 2000. Em 2014, o pronto-socorro chegou a ser fechado. Há quase dois anos, ao assumir o hospital, o provedor estimou a dívida em mais de R$ 800 milhões.

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