SÉRGIO QUINTELLA/ESTADÃO
SÉRGIO QUINTELLA/ESTADÃO

Santa Casa terá repasse extra do Estado

Medida acontece após licença do provedor; sem empréstimo, instituição poderia parar

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

24 Dezembro 2014 | 00h07

A Secretaria Estadual da Saúde vai anunciar nesta quarta-feira, 24, repasse de novos recursos para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que vive grave crise financeira. A medida acontece um dia depois de a Mesa Administrativa da entidade aprovar a licença do provedor da instituição, Kalil Rocha Abdalla, e a alienação de um imóvel que será usado como garantia para a obtenção de empréstimo na Caixa Econômica Federal. Sem o crédito, a Santa Casa poderia interromper o atendimento nesta sexta-feira.

Em reunião na manhã desta terça, 23, a mesa autorizou a superintendência da entidade a oferecer à Caixa um prédio na Avenida Paulista avaliado em R$ 70 milhões como garantia para a realização do empréstimo de R$ 44 milhões. A verba será usada para honrar despesas como a folha de pagamento e os fornecedores da instituição.

As três empresas responsáveis pelos serviços de lavanderia, alimentação e fornecimento de combustível já haviam informado à Santa Casa, segunda-feira, que estudavam suspender os contratos por falta de pagamento. Na semana passada, a companhia terceirizada responsável pelos serviços de limpeza cancelou o contrato e anunciou a demissão de 1.150 funcionários que atuavam no hospital.

Com a garantia imobiliária aprovada nesta terça, é quase certo que o acordo com o banco seja fechado nos próximos dias e que o dinheiro seja liberado na primeira semana de janeiro. 

“O risco (de suspensão de atendimento) existe porque a negociação diária com os fornecedores e os problemas que a Santa Casa vem enfrentando são dinâmicos. Como existe agora uma garantia palpável de entrada de recursos mediante essa operação bancária, temos mais força de argumentação com os fornecedores, assim como estamos tendo com os funcionários”, disse Irineu Massaia, superintendente da Santa Casa. 

Emergência. Para arcar com as despesas básicas até a liberação do empréstimo pela Caixa, a Santa Casa deverá usar repasse emergencial do Estado, cujo valor será anunciado na manhã desta quarta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo secretário da Saúde, David Uip.

O Estado apurou que o valor deverá ser bem mais baixo do que o pleiteado no empréstimo da Caixa e suficiente apenas para a regularização do pagamento do 13.º salário dos 7 mil funcionários da entidade e para despesas básicas com medicamentos, materiais e insumos.

Na última negociação com os funcionários, a Santa Casa havia pedido prazo até o dia 29 deste mês para regularizar os pagamentos, mas agora a entidade já fala em prorrogar o prazo até janeiro.

Massaia disse que está em vigor o plano de reestruturação da Santa Casa e, em até dois anos, a entidade deverá ter operação financeira sustentável. 

Licença. A mesa também aprovou ontem o afastamento de Abdalla por 90 dias ou até a conclusão de sindicância interna aberta pela Santa Casa para apontar os responsáveis pelas falhas de gestão identificadas em auditorias encomendadas pelo governo do Estado. 

Abdalla fica no cargo até o dia 6 de janeiro, quando assume interinamente o vice-provedor, Ruy Altenfelder. “Vamos todos pensar em uma nova governança para a Santa Casa”, disse ele, que relatou ainda que a mesa decidiu se manter instalada em caráter permanente no período de crise. “Se houver necessidade de qualquer aprovação, como de alienação de imóveis, o faremos, mesmo que seja em reuniões pela internet.”

Em evento nesta terça, Alckmin classificou o afastamento de Abdalla como “mudança necessária” e elogiou o vice-provedor. “O doutor Ruy pode fazer um ótimo trabalho, pessoa com espirito público, experiência, é o vice-provedor já. E nós vamos ajudá-lo”, disse o governador.

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