Governo de Santa Catarina
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Santa Catarina pede ajuda ao Ministério da Saúde para repor kit de entubação em hospitais

Hospitais cobram do Estado envio de remédios sob risco de desabastecimento;SC tem 388 pessoas na fila por uma vaga de UTI

Fabio Bispo, Especial para o Estadão

09 de março de 2021 | 15h00

FLORIANÓPOLIS - A Secretaria de Saúde de Santa Catarina solicitou ao Ministério da Saúde envio de medicamentos do chamado "kit entubação", que inclui lidocaína, atracúrio, propofol 1%, midazolam, morfina, dexmedetomidina, haloperidol, entre outros,  essenciais para o tratamento de pacientes graves da covid-19. A informação foi confirmada pelo órgão na tarde desta segunda-feira, 8. O comunicado ao ministério foi feito em 23 de fevereiro, quando o Estado relatou a falta de medicamentos.

A falta de insumos vem sendo reportada por hospitais catarinenses desde a 2ª quinzena de fevereiro, quando a ocupação de leitos aumentou até chegar ao limite da capacidade. “O uso por bloqueadores neuromusculares (usados para intubação de pacientes) aumentou 2.000% em Xanxerê", disse Neusa Luiz, presidente da Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina, e diretora do Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê, no oeste catarinense.

"Os hospitais, normalmente, trabalham com uma margem de 15 dias de estoque de segurança, mas a situação está bastante complicada. Além do aumento no uso, também temos elevação de 150% nos custos desses medicamentos."

O Hospital Florianópolis, referência para tratamento da covid-19, é uma das unidades que relatou ao Estado risco de desabastecimento dos remédios que compõem o kit entubação. O prefeito de Brusque, em solicitação enviada no dia 25 de fevereiro, disse que a necessidade pelos medicamentos é uma “demanda crucial”.

A crise gerada por um novo pico da pandemia em Santa Catarina parece não dar sinais de arrefecimento. O número de pacientes na fila de espera por uma UTI tem aumentado diariamente há duas semanas. Nesta segunda, pelo menos 388 pessoas aguardam vaga na terapia intensiva.

A falta de leitos obrigou o Estado a enviar pacientes para o Espírito Santo e também a fazer remanejamento de vagas nas unidades de saúde do Estado, inclusive com a compra de leitos na rede privada. Mesmo assim, Santa Catarina ainda registra mortes de pessoas que aguardavam transferências. O secretário de Saúde, André Motta, nega desassistência médica nesses casos e resiste à adoção de medidas mais restritivas de isolamento.

O Estadão confirmou que, em diversas unidades, pacientes estão sendo entubados em emergências e em alas improvisadas nas unidades. Só no Hospital São Paulo, de Xanxerê, 27 pessoas morreram desde fevereiro à espera de um leito de UTI. Em Chapecó, das 33 mortes em leitos normais registradas na cidade, 31 ocorreram este ano, após a oferta de vagas de UTIs.

A reportagem tem solicitado reiteradas vezes ao governo estadual o número de pessoas que morreram com pedidos de transferências no sistema de regulação, mas o Estado tem se negado a dar esta informação.

Nesta segunda-feira, pela primeira vez em 15 dias esse número de pessoas com o vírus ativo caiu. Mesmo assim, são mais de 33 mil pessoas nessa condição, ou seja, com potencial de transmissão. Na sexta-feira, 5, o Estado chegou a 45 mil infectados ativos.

Outro insumo importante para o tratamento da covid, o oxigênio, também teve grande aumento no consumo nas últimas semanas: na ordem de 66%, segundo informou um dos fornecedores, a White Martins.

O Estado já soma 8.062 mortes por covid-19 desde março de 2020, sendo que 25% dessas mortes ocorreram nos primeiros meses de 2021.

Questionada, a Secretaria de Saúde do Estado não informou se o ministério atendeu às solicitações para envio de medicamentos do kit entubação. O órgão também não forneceu detalhes sobre o estoque atual e se já há desabastecimento em alguma unidade.

O Ministério da Saúde informou que encaminhou ao Estado de Santa Catarina 41,3 mil ampolas de bloqueadores neuromusculares - medicamento usado na entubação de pacientes - em 2 de março. “Semanalmente, a pasta recebe dados enviados pelo Conass/Conasems (Conselhos de secretarias estaduais e municipais de Saúde) - com o consumo médio mensal de estados e municípios - e ainda conta com as informações de produção e venda publicadas pela Anvisa. Dessa forma, o Ministério da Saúde faz o planejamento para aquisição desses insumos, apoiando Estados com maior dificuldade logística”, informou a pasta.

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