Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Santas Casas terão prazo dobrado para quitar dívidas, anuncia ministro

Tempo para liquidar operações de crédito com a Caixa passou de 5 para 10 anos; instituições terão seis meses de carência para pagar empréstimos

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2016 | 16h11
Atualizado 01 Setembro 2016 | 20h47

BRASÍLIA - Santas Casas e hospitais filantrópicos terão, a partir de agora, o dobro de prazo para quitar dívidas. Acordo anunciado pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, amplia de cinco para dez anos o prazo para operações de crédito com a Caixa Econômica Federal serem liquidadas. As instituições têm, juntas, dívidas estimadas em R$ 22 bilhões.

Além de dobrar o prazo para pagamento, Santas Casas terão seis meses de carência para pagar os empréstimos nesta nova linha de crédito. A medida faz parte de um “pacote de bondades” divulgado pelo ministro em Congresso de Santas Casas e Hospitais Filantrópicos. 

A pasta anunciou também a liberação de R$ 371 milhões para credenciamento de hospitais filantrópicos em 20 Estados e de R$ 141 milhões, procedentes de emendas parlamentares que haviam sido estabelecidas nos últimos dois anos e ainda não tinham sido pagas. Os recursos deverão ser liberados a partir de dezembro. 

Foram alteradas também as regras para a análise da concessão do crédito. O novo formato torna mais fácil o acesso. A partir de agora, o crédito pode ser equivalente a até 35% do faturamento total da entidade. A porcentagem, até a mudança da regra, estava limitada em 30%.

Quatro a cada dez internações realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2015 foram feitas nas Santas Casas. Outro recurso considerado importante pelo ministro para tentar auxiliar o setor é a aprovação, no Congresso, de um projeto que cria um programa de crédito especial, com juros diferenciados para a instituição. Proposto pelo ministro de Relações Exteriores, José Serra, durante seu mandato como senador, o projeto prevê a criação de linhas de crédito especiais, com prazos de pagamento mais longos e juros menores.

O texto inicial propunha uma carência de 2 anos e juros de 0,5% ao ano. Nesta quinta, o governo afirmou que trabalhará pela aprovação da proposta. Segundo o ministro, o projeto tem as bênçãos do presidente Michel Temer.

Cargo. Barros ampliou nas duas últimas semanas a divulgação de medidas e balanços para reforçar a imagem de bom gestor. Com Temer assumindo o cargo, aumentam as especulações sobre uma troca de nomes no Ministério da Saúde. O ministro, indicado pelo PP, tem apostado todas fichas para se manter no cargo.

Nesta quinta, ele apresentou um balanço sobre seus cem dias de governo a uma plateia formada por representantes de Santas Casas e secretários estaduais e municipais de Saúde. Garantiu ter reduzido custos, cortado cargos, aumentado a eficiência da gestão. Questionado se seria mantido no cargo, Barros respondeu que continuaria trabalhando, “e bem”.

Um dos pontos destacados pelo ministro é o orçamento previsto para sua pasta em 2017. A proposta é que o ministério receba R$ 120 bilhões. Desse total, R$ 5 bilhões seriam de emendas parlamentares. Segundo ele, o setor receberá R$ 1,7 bilhão a mais que o mínimo constitucional, de R$ 113 bilhões. Barros anunciou o valor como uma vitória, diante da crise econômica no País. Ele argumentou que, embora mais recursos sejam bem-vindos, é importante trabalhar com a realidade.

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