USDA/Divulgação
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São Carlos vai usar pastilha larvicida contra 'Aedes aegypti'

Experimento desenvolvido pela USP tem bactéria capaz de exterminar larvas e vai ser usado na cidade a partir de janeiro

Rene Moreira, Especial para o Estado

29 Dezembro 2015 | 19h50

SÃO CARLOS - A cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, será a primeira do País a usar uma pastilha larvicida contra o mosquito da dengue. A tecnologia foi desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) e usa uma bactéria capaz de atacar as larvas. A distribuição será gratuita à população e está prevista para começar em janeiro. Alunos das escolas foram treinados e ajudarão a entregar as pastilhas.

Detalhes foram definidos na semana passada em reunião envolvendo autoridades, pesquisadores e a prefeitura de São Carlos, através do Comitê Emergencial de Combate à Dengue. O método a ser utilizado é inédito no País para enfrentar o mosquito Aedes aegypti, que transmite ainda chikungunya e zika.

Coube a uma empresa de São Paulo, incubada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), desenvolver uma bactéria - Bacillus thuringiensis israelensis (BTI) - que cresce e depois é transformada em pastilhas (bactéria estável).

De acordo com os pesquisadores, essa pastilha é depositada nos criadouros e extermina as larvas do Aedes, mas é inofensiva para vertebrados, podendo inclusive ser ingerida por humanos. Nas primeiras cinco horas a bactéria consegue matar 50% das larvas. Depois disso, a letalidade aumenta, matando quase 100% delas por mais de 10 semanas.

O autor do projeto e coordenador da rede de cientistas é o virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Ele conta que o trabalho também possibilitará a análise da genética do vírus para a reconstrução da malha de transmissão entre as pessoas, ou seja, saber quem passou para quem.

Marcus Petrilli, secretário de Saúde de São Carlos, explicou que primeiro as pastilhas serão distribuídas nas áreas com número maior de notificações. "Também vamos iniciar a análise da genética do vírus. Vamos identificar o vírus que infecta o paciente e quais vírus estão nos mosquitos em circulação, podemos saber se aquele local, por exemplo, está suscetível ao zika."

Números. Cerca de 20 mil alunos, além de professores e profissionais das unidades de Saúde da Família, estarão envolvidos na ação. Levantamento aponta que 80% dos criadouros estão nas residências.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos, de 1º de julho de 2015 até agora, foram 806 casos suspeitos de dengue na cidade, sendo 43 confirmados por exames laboratoriais.

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