São José do Rio Preto tem caso de doença rara

Em cinco meses, São José do Rio Preto registrou seis vezes mais casos de encefalite de Saint Louis, doença com sintomas parecidos com os da dengue, do que em toda história no Estado. O único caso conhecido em São Paulo ocorreu em 2004, na capital. Outras duas ocorrências foram registradas no País na década de 1960. A encefalite de Saint Louis é causada por um vírus da família dos Flavivírus, o SLV, parecido com o vírus da dengue. A doença foi descoberta em exames feitos pelo Laboratório de Virologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) em pacientes com suspeita de dengue. Os especialistas acreditam que o vírus seja transmitido pela picada do pernilongo Culex. "Nós fomos investigar, pois estávamos no meio de uma epidemia de dengue e os exames dessas pessoas eram todos negativos", diz Maurício Lacerda Nogueira, virologista da Famerp. Os casos ocorreram entre março e junho deste ano e há pelo menos dois meses foram identificados pelo laboratório. Eles apresentaram os mesmos sintomas: febre alta, dores de cabeça e mal-estar. A doença não é fatal, mas, em alguns casos, pode se transformar em encefalite, com fortes dores de cabeça, e se tornar perigosa para idosos com outras doenças ou pessoas debilitadas. "Vamos começar a investigar com mais profundidade e, se for uma doença endêmica, temos que desenvolver métodos de controle", diz Nogueira. Controle do Vetor - A Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto estuda agora a real dimensão dos casos e como conter o vetor da doença, o pernilongo Culex. Técnicos da Secretaria Estadual de Saúde e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) estiveram na cidade nesta semana para a elaboração de uma plano de combate ao vetor. Na semana passada, outro caso suspeito foi registrado, de um garoto de 11 anos. Se confirmado, sobe para sete o número de ocorrências. "Não informamos a população antes, pois tínhamos de ter certeza para não causar alarme", diz o secretário municipal, Arnaldo Almendros Mello. Uma das pessoas infectadas é a médica Eliana Márcia Sotello Cabrera. Ela é vice-coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Hospital de Base, em São José do Rio Preto. Eliana não foi internada, mas passou uma semana com os sintomas mais fortes da doença. "Fiquei com medo,pois também já tive dengue", diz.

Agencia Estado,

23 de agosto de 2006 | 10h18

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