Bruno Kelly/Reuters
Bruno Kelly/Reuters

São Paulo confirma três primeiros casos de covid por variante do coronavírus de Manaus

São os primeiros registros da nova cepa brasileira fora do Amazonas; linhagem tem mutações associadas a maior transmissibilidade

Fabiana Cambricoli e Márcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 17h59
Atualizado 29 de janeiro de 2021 | 02h15

SÃO PAULO - A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou, nesta terça-feira, 26, os três primeiros casos importados de covid-19 no Estado causados pela nova variante brasileira do coronavírus, originária do Amazonas e que vem sendo apontada como uma das razões para a explosão de casos da doença em Manaus.

Esses são os primeiros registros da nova variante fora do Amazonas. De acordo com a secretaria, a confirmação foi feita por meio de sequenciamento genético feito no Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz, que é referência nacional e vinculado à pasta estadual.

"O vírus foi sequenciado a partir de amostras com resultados positivos de exames processados pelo Centro de Virologia de três pessoas que tiveram covid-19 e passaram por atendimento em serviços da rede pública de saúde em São Paulo, com histórico de viagem ou residência em Manaus", disse a pasta, em nota.

Segundo estudos feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e Fiocruz Amazonas, a cepa teria surgido em Manaus em dezembro e vem se disseminando com rapidez na capital amazonense. A variante, chamada de P.1, tem mutações importantes na proteína spike, responsável por permitir a entrada do patógeno nas células humanas.

A P.1 é derivada de uma das variantes predominantes no País, a B.1.1.28. É provável que ela tenha maior poder de transmissão por causa da mutação N501Y, presente também nas variantes identificadas no Reino Unido e na África do Sul.

"Essas mutações poderiam estar associadas a  um maior potencial de transmissão, apesar de ainda não haver comprovação científica de que esta variante seja mais virulenta ou transmissível em comparação a outras previamente identificadas", ressaltou a secretaria.

Outra mutação observada na cepa e que causa preocupação é a E484K, já associada em estudos a um escape de anticorpos, o que pode favorecer reinfecções e até afetar a eficácia de vacinas. Novas pesquisas estão sendo feitas para determinar se a variante brasileira e as demais são mais contagiosas, letais ou se afetariam o desempenho dos imunizantes.

Os sequenciamentos realizados pelo Lutz foram depositados no banco de dados online e mundial Gisaid (Iniciativa Global de Compartilhamento de Todos os Dados sobre Influenza). De acordo com a secretaria, eles têm alta qualidade e confiabilidade, correspondendo a 99,9% do genoma do vírus.

O Estadão entrou em contato com as secretarias de Saúde de 23 Estados e do Distrito Federal para saber se a variante do coronavírus de Manaus já havia sido identificada nas outras unidades da federação. Até o fim da tarde, 14 delas, das cinco regiões do País, deram retorno. Nenhuma delas, no entanto, com exceção de São Paulo, identificou a nova cepa.

Paraíba e Pernambuco ressaltaram que têm encaminhado amostras regularmente a laboratórios, para sequenciamento genético do vírus. Mas até agora não foi constatada a variante brasileira nesses Estados.

Minas Gerais e Rio Grande do Norte demonstraram estar ainda mais vigilantes. As duas unidades da federação informaram que pacientes que estiveram em Manaus têm tido amostras do vírus encaminhadas para análise. Além dos citados, os Estados que responderam foram Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso, Distrito Federal, Roraima, Tocantins, Bahia e Maranhão. O Estadão não conseguiu contato com representantes do Piauí e do Amapá.

 

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