São Paulo é campeã em casos de câncer de mama

A capital paulista vai terminar o ano com um dado nada animador. Até o final de 2006, a incidência de câncer de mama em São Paulo será de 100 novos casos para cada 100 mil mulheres. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a média paulistana é quase o dobro da brasileira, em que são estimadas 52 novas notificações em cada 100 mil pessoas do sexo feminino. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) aponta como principais motivos para o alto risco de tumor cancerígeno na Cidade o estresse, a falta de atividades físicas e a má alimentação da população. "É uma tendência dos grandes centros urbanos. Isso porque, apesar de também ser causado por fatores genéticos, o câncer de mama está atrelado ao estilo de vida da mulher", afirma o presidente da SBM, Diogenes Basegio. De acordo com ele, o modo de vida é um importante fator desencadeador da doença. "O fast-food, o tabagismo e o consumo de álcool estão bem mais presentes na rotina da metrópole do que na da zona rural, por exemplo. Isso acaba sendo decisivo para a diferença dos números", explica o presidente. Pelas projeções do Inca, o Estado de São Paulo terá somado 15.810 novos casos de câncer de mama quando terminar o ano. A Capital terá fechado o ano com 6.080 notificações, o que representará, aproximadamente, 38,4% do total estadual. Para o diretor do Departamento de Mama do Hospital do Câncer de São Paulo, Mário Mourão Netto, a incidência de câncer de mama nas mulheres de São Paulo é semelhante à registrada em cidades dos países de primeiro mundo. "A diferença, infelizmente, é que o diagnóstico ainda é tardio e compromete o tratamento", fala o especialista em oncologia. Entre as capitais brasileiras, o risco previsto da doença em São Paulo só é menor do que os números estimados para o Rio de Janeiro e Porto Alegre, onde o Instituto Nacional do Câncer prevê 128 e 146 novas notificações de câncer de mama para cada 100 mil mulheres, respectivamente. "Nas pacientes que vivem em metrópoles, outra característica é que a doença aparece cada vez mais cedo", ressalta o presidente da SBM. "Realizamos uma pesquisa e foi revelado que, enquanto 70% dos casos de câncer de mama da zona urbana predominam na faixa etária entre 45 e 55 anos, na zona rural o mesmo índice se refere a idades entre 55 e 60 anos", completa Basegio. De acordo com o diretor do Centro estadual de Referência da Saúde de Mulher, Luiz Henrique Gebrim, não é apenas o modo de vida das mulheres em São Paulo que influencia na incidência de tumores. "Vale lembrar que o Estado de São Paulo é o único que realiza mutirões de mamografia - exame que detecta a presença de câncer", disse Gebrim. "Por conta disso, muito mais casos de câncer de mama são descobertos, comparando com o restante do País. Só neste ano, foram 200 mil exames realizados em mutirões", afirma. O diretor do Hospital do Câncer, Mário Mourão Netto, reitera, porém, que para mudar os números paulistanos é preciso alterar também os hábitos das mulheres urbanas. "De fato, a conscientização sobre a influência dos fatores de risco, como sedentarismo e fumo, já é capaz de modificar a situação do câncer de mama na Capital."

Agencia Estado,

26 de outubro de 2006 | 09h25

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