São Paulo inaugura centro internacional de oncologia nesta quinta-feira

Com investimento de R$ 18 mi e 4 mil m², Hospital A.C. Camargo terá pesquisas sobre tumores mais comuns

Agência Fapesp

04 de agosto de 2010 | 16h25

SÃO PAULO - O Centro Internacional de Pesquisa e Ensino (Cipe) em Oncologia do Hospital A.C. Camargo será inaugurado nesta quinta-feira, 5, em São Paulo. O espaço vai abrigar e centralizar toda a produção científica e o ensino na instituição.

Com investimentos de R$ 18 milhões, as instalações reunirão, entre outros, pesquisas com oncogenômica, príons e tumores de maior incidência entre brasileiros: mama, próstata, cólon e cabeça e pescoço.

Com 4 mil m², o Cipe tem infraestrutura e tecnologia só comparáveis às de centros internacionais e será inaugurado pelo alemão Harald zur Hausen, que em 2008 recebeu o Prêmio Nobel de Medicina por identificar a relação do papilomavírus (HPV) com cânceres como o de colo do útero, o segundo mais frequente em mulheres no País. Zur Hausen é um dos principais convidados da Jornada Internacional de Patologia organizada pelo A.C. Camargo.

A direção do centro será de Ricardo Renzo Brentani, presidente da Fundação Antônio Prudente (mantenedora do hospital) e diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fapesp. De acordo com ele, o Cipe colocará a pesquisa em câncer no Brasil em condição privilegiada.

"Não temos ainda uma infraestrutura compatível com essa. Adquirimos equipamentos únicos, como o sequenciador que pode realizar genomas completos de um ser humano em menos de uma semana, e temos algumas das melhores cabeças da ciência oncológica reunidos em um mesmo ambiente", disse.

O sequenciador de DNA foi adquirido pelo Centro Antonio Prudente para Pesquisa e Tratamento do Câncer, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp. O equipamento permite a realização de 500 milhões de sequências em uma semana e beneficiará todos os projetos de pesquisa genômica em curso no A.C. Camargo, o que será um dos principais diferenciais da instituição.

"Com o novo sequenciador, o pesquisador poderá detectar mutações em genes de maneira mais rápida, a um custo muito mais acessível. O primeiro genoma humano levou 15 anos para ser sequenciado, a um custo de cerca de US$ 15 bilhões. Se na época existisse a tecnologia que o A.C. Camargo passa a ter agora, o mesmo trabalho teria sido realizado em uma semana, a um custo estimado de US$ 5 ou US$ 10 mil", comparou Emmanuel Dias-Neto, pesquisador do hospital.

Brentani ressalta que o desenvolvimento científico reflete benefícios diretos ao paciente, um diferencial do hospital e também de suas linhas de ensino e pesquisa.

"Sete entre dez de nossos pesquisadores integram o corpo clínico do A.C. Camargo, o que significa que esse conhecimento reflete na prática médica. O trabalho desses cientistas retorna para o paciente na forma de um tratamento mais eficaz", afirmou.

Encontros de patologia

Responsável pela descoberta da relação entre o papilomavírus humano (HPV) e câncer, o pesquisador alemão Zur Hausen será um dos destaques do 3º Encontro de Patologia Investigativa e da 13ª Jornada Internacional de Patologia, que são realizados entre os dias 4 e 7 de agosto, em São Paulo, coordenados pelo patologista Fernando Soares, diretor da Pós-Graduação do Hospital.

Em duas aulas, o Nobel de Medicina apresentará detalhes sobre um dos mais caros temas da atualidade: a relação entre infecção e câncer. Zur Hausen identificou em 1983 a presença do HPV tipo 16 em biópsias de mulheres com câncer de colo do útero.

No ano seguinte, foi a vez de associar a doença também com o tipo 18. Os dois são encontrados em aproximadamente 70% das biópsias desse tipo de câncer em todo o mundo, o segundo mais comum em mulheres, atrás apenas do de mama. As estimativas para o biênio 2010/2011 apontam para 18 mil novos casos por ano no Brasil. Diversos tipos de tumores, como os de boca, garganta e pênis, também estão ligados ao HPV.

Também estará presente nos eventos o patologista Craig Allred, da Universidade de Washington, que desenvolveu uma técnica adotada em todo o mundo para o diagnóstico diferencial do câncer de mama. Allred mostrará detalhes do método, além de como prever com certa precisão os resultados do tratamento oncológico a partir de determinado diagnóstico.

Os encontros reunirão ainda especialistas dos principais centros de pesquisa europeus e americanos, como a University College of London (Inglaterra), a Universidade de Edimburgo (Escócia), a Universidade de Toronto (Canadá) e o Centro do Câncer M.D.Anderson (Estados Unidos), além de pesquisadores brasileiros do Instituto Ludwig, das universidades de São Paulo (USP) e Estadual Paulista (Unesp) e das federais de São Paulo (Unifesp), Rio de Janeiro (UFRJ) e Minas Gerais (UFMG).

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