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São Paulo já tem mais casos de dengue do que em todo o ano passado

De janeiro a abril, foram confirmados 38.927 registros da doença; Prefeitura registrou mais três mortes por causa da dengue

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 17h07

Atualizada às 21h14

SÃO PAULO - Com 38.927 casos de dengue confirmados nos quatro primeiros meses do ano, a capital paulista bateu recorde de registros da doença desde que começou a ser notificada, superando o número de casos em todo o ano de 2014. Balanço divulgado nesta quinta-feira, 7, pela Secretaria Municipal da Saúde aponta que, pela primeira vez na história, a cidade vive uma epidemia da doença. Mais três mortes foram confirmadas, elevando para oito o número de mortos no ano - em 2014, foram 14 óbitos.

O número registrado nas 16 primeiras semanas epidemiológicas do ano, que compreendem o período de 1.º de janeiro a 25 de abril, é 34% superior aos 29.011 casos confirmados em todo o ano passado. Se a comparação for feita com os registros do mesmo período de 2014, quando 14.219 pessoas foram infectadas, a alta chega a 173%.

Com os registros, a capital paulista alcançou índice de incidência de 340,1 casos por 100 mil habitantes - acima de 300, a taxa é considerada epidêmica, de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O recorde anterior no número de pessoas infectadas havia sido registrado no ano passado, quando a taxa de incidência ficou em 257,8 casos por 100 mil habitantes.

O secretário municipal adjunto da Saúde, Paulo Puccini, afirmou que embora, na média, a cidade já esteja em situação epidêmica, o surto não acontece na maior parte dos bairros. “Dos 96 distritos, 31 estão em situação de epidemia.” Somam as maiores taxas de incidência os distritos de Brasilândia (zona norte), Pari (centro) e Raposo Tavares (zona oeste).

Puccini afirmou ainda que já é possível verificar uma tendência de estabilização no número de notificações da doença. “Com o trabalho de bloqueio de criadouros, a ajuda de soldados do Exército e a divulgação do problema na mídia, a ocorrência semanal de casos de dengue, que vinha em ascensão, começou a se estabilizar a partir da 12.ª semana epidemiológica (fim de março)”, disse.

Puccini afirmou que não há mudança de estratégia no combate à dengue com a ocorrência de epidemia. A única alteração é no procedimento de confirmação do diagnóstico nos 31 distritos com taxa de incidência epidêmica. “Nesses locais, não fazemos mais o exame de sorologia para confirmar a presença do vírus. O diagnóstico passa a ser somente clínico.”

Mortes. Duas mulheres, de 25 e 64 anos, e um homem de 52 anos foram as mais recentes vítimas da dengue. Eles eram moradores de Cidade Líder, Cangaíba (na zona leste) e Vila Medeiros (zona norte), respectivamente.

As vítimas mais velhas apresentavam outras doenças, como hipertensão, que aumentam o risco de complicações em um quadro de dengue. Já a jovem de 25 anos teria morrido, de acordo com Puccini, porque demorou muitos dias para procurar uma unidade de saúde e, quando buscou atendimento, o quadro já havia se agravado. Além das oito mortes confirmadas no ano, outras 25 estão em investigação pela Secretaria da Saúde.

Anteriormente, já haviam sido confirmados pela Prefeitura os óbitos de dois idosos, de 84 e 92 anos, duas mulheres, de 27 e 41, e um menino de 11 anos. As vítimas eram moradoras de Brasilândia, Jaraguá, Lajeado, Grajaú e Jardim Ângela, respectivamente.

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