Wether Santana/ Estadão
Wether Santana/ Estadão

São Paulo já tem mais de 192 mil casos confirmados do novo coronavírus

Dados foram divulgados nesta quinta-feira, 18, pela Secretaria Estadual da Saúde, mas número pode ser até maior. Segundo a pasta, há problemas para atualização de casos em plataforma do SUS.

Paloma Cotes, Marina Aragão e João Ker, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 13h13
Atualizado 19 de junho de 2020 | 08h23

São Paulo já tem mais de 192 mil casos confirmados do novo coronavírus. E esse número pode ser ainda maior. De acordo com balanço divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde, já são 192.628 casos, 1.111 registrados em 24 horas. De acordo com o governo do Estado, o número de casos divulgado nos últimos dois dias vem sendo baixo porque a pasta vem enfrentando problemas na atualização do dados.

Segundo o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, há um problema de atualização no e-SUS. "Temos acionado o Ministério da Saúde para entender porque isso está ocorrendo. Outros estados parece que estão fazendo esse apontamento também e esperamos a estabilidade do sistema, porque dependemos desses números para acompanhar a evolução da doença. São dois dias que estamos assim e esperamos que seja um problema passageiro", disse Germann. 

"Esse sistema é fundamental, porque ele traz os casos que não tiveram internação na contabilidade. Sobre óbitos e casos com internação, acessamos pela nossa base de dados", afirmou Patrícia Ellen da Silva, secretária de Desenvolvimento Econômico. 

O Ministério da Saúde se posicionou à noite sobre o assunto. Em nota, disse que "o processo de notificação de casos suspeitos de covid-19 está ocorrendo normalmente e a base de dados está totalmente preservada". Em seguida, a pasta federal detalhou que algumas unidades da federação utilizaram um aplicativo para exportar os dados, quando deveriam ter recorrido a uma ferramenta específica (API). "O Ministério da Saúde prontamente orientou estas localidades a usar somente a exportação via API, que já vinha sendo utilizada pelos Estados em momentos anteriores." 

O Estado de São Paulo já tem 11.846 óbitos pela covid-19, 325 mortes registradas em 24 horas. Nesta semana, o Estado teve o recorde de mortes nesta quarta-feira, 17, com 389 óbitos. Em números absolutos, São Paulo continua liderando o ranking nacional de mortes e casos confirmados da doença. 

Projeções feitas pelo próprio governo do Estado mostram que São Paulo pode ter até 18 mil mortes e 290 mil casos confirmados até o final de junho. 

Campinas e Sorocaba

A taxa de ocupação de leitos de UTI na Grande São Paulo é de 71,3%. E no Estado esse índice é de  67%. Como o Estadão mostrou, a situação no interior do Estado é de sobrecarga no sistema de saúde.  Alguns hospitais que são referência no tratamento da doença estão lotados, são obrigados a recusar novas internações e prefeitos já cogitam transferir pacientes para a capital. Algumas das maiores cidades do interior, como Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, estão com lotação de leitos da covid-19 acima da média - em alguns casos com 100% de lotação.

"Nos preocupa neste momento a situação de Campinas e Sorocaba, com o crescimento agudo na taxa de ocupação de leitos de UTI. Se não tivéssemos adicionado respiradores nessas regiões, esse número já teria estourado", afirmou o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. De acordo com Vinholi, Campinas tem 90% dos leitos de UTI ocupados e um crescimento de 104% na taxa de ocupação; Sorocaba teve um aumento de 127% nessa taxa.

As duas regiões estão na fase laranja do Plano São Paulo, que permite a retomada, ainda com restrição, de atividades econômicas, como reabertura de comércios e shoppings centers.   

Nesta sexta-feira, 19, o governo do Estado deve divulgar a nova classificação por fases do Plano São Paulo, com avanços ou retrocessos para abertura de atividades econômicas na quarentena nas regiões. O plano é dividido em cinco fases, que vão da restrição máxima, só com funcionamento de serviços essenciais, até a liberação total. Neste momento, o Estado tem apenas regiões nas fases vermelha e laranja, com restrição de atividades e reabertura parcial de apenas alguns setores.  

De acordo com Carlos Carvalho, chefe do Centro de Contigência Contra a Covid-19, o centro estuda a possibilidade de reabertura de parques, mas ainda não há uma decisão sobre o assunto. "Às vezes, no shopping, se consegue ter um controle maior da aglomeração que não teríamos no parque. A filosofia foi ver o comércio e o consumo na frente das atividades de contato. Então, primeiro está se abrindo a parte de comércio e consumo porque isso movimenta a economia, e a parte de contato, onde entram os parques, ficou para depois. Mas estamos avaliando", afirmou.

A taxa de isolamento na quarta-feira foi de 47% na capital paulista e 46% no Estado de São Paulo. Na terça, foi de 48% na capital e de 46% no Estado.

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