São Paulo poderá ter cinco novas bases do Samu

A Secretaria Municipal de Saúde estuda a criação de 5 novos centros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na capital paulista. A proposta já foi encaminhada ao Ministério da Saúde e, na próxima semana, a coordenadora Nacional do Projeto Samu, Irani Ribeiro de Moura, reúne-se com a secretária de Saúde, Maria Aparecida Orsini, para discutir o projeto. Em princípio, as novas centrais devem ser instaladas em Pinheiros, Itaquera, Mandaqui, Ipiranga e Guarapiranga. "São Paulo é uma cidade muito complexa, cheia de dificuldades em relação a trânsito e transporte. Por isso é importante que o serviço seja descentralizado", disse o diretor do Samu na capital, Milton Glezer, há dois meses no cargo. Para o vereador Paulo Frange (PTB), médico cardiologista e especialista em urgência, o maior empecilho para a agilidade do serviço de ambulâncias não é a dimensão da Cidade, mas a densidade demográfica. São Paulo tem 6.985 habitantes por quilômetro quadrado, segundo o vereador, e uma área de 1.509 quilômetros quadrados. "Com essa densidade, é mais difícil chegar aos locais dos chamados, encontrar endereços, fazer o resgate no tempo ideal", disse. Frange também é a favor da descentralização. Hoje, a central do Samu, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, gerencia 126 ambulâncias, 50 bases (de onde saem as viaturas) e 3 mil funcionários. Na sede, 17 telefonistas e três médicos atendem aos chamados do 192 em toda a Cidade, ou seja, estão à disposição dos 10,8 milhões de habitantes. "Imagine todas essas pessoas solicitando o serviço no mesmo lugar. Isso dificulta que a Cidade reduza o tempo do atendimento", disse Irani. Segundo ela, as outras 110 centrais do Samu no País atendem de 120 mil a 2,5 milhões de habitantes. Como a reportagem do Jornal da Tarde mostrou ontem, o número de ambulâncias que circulam pela capital é insuficiente para atender toda a população: das 126 viaturas, em média 85 circulam diariamente. Para garantir um serviço satisfatório, a Cidade deveria ter pelo menos 132 unidades em funcionamento. Para agilizar os resgates, no final do ano passado, o Samu iniciou o treinamento de telefonistas e dos médicos que avaliam as ligações de casos de pouca urgência. "Se o paciente estiver com uma dor de barriga, o médico, por telefone, pode ajudá-lo, sem que precisemos deslocar uma viatura para atendê-lo", explicou Glezer. O investimento na telemedicina fez com que a média do tempo gasto nos atendimentos caísse de 18 horas em novembro do ano passado para 1h40 em janeiro. A meta é atingir os 30 minutos.

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