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Carl de Souza/AFP
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São Paulo quer vacina dupla contra covid e gripe

Estudos serão iniciados após transferência de tecnologia da farmacêutica Sinovac para o Butantan, provavelmente no fim deste ano

Adriana Ferraz e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 05h00

O governo de São Paulo e o Instituto Butantan têm como meta desenvolver uma vacina única contra covid e gripe a partir de 2022. Os estudos necessários vão ser iniciados após a transferência de tecnologia da Coronavac da farmacêutica Sinovac para o Butantan. A estimativa é de que isso ocorra no fim deste ano.

A intenção é incorporar uma vacina à outra, desde que os testes indiquem que a junção pode ser feita. De acordo com o coordenador executivo do Centro de Contingência da covid-19, João Gabbardo, o produto poderia ser o primeiro do tipo no mundo e servir para uma atualização anual da proteção contra os dois tipos de vírus.

Segundo o Estadão apurou, o plano é de que essa vacina dupla seja ofertada em uma só dose à população e na mesma campanha, com apenas uma injeção. Atualmente, o Butantan produz 80 milhões de doses de vacinas contra a influenza por ano. O laboratório é o responsável por abastecer o Ministério da Saúde com todas as doses do imunizante usadas na campanha anual. Com o estudo finalizado e a vacina dupla autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a produção seria adaptada para o novo produto.

O planejamento tem o aval do governador João Doria (PSDB), que acredita conseguir vacinar todos os paulistas até o fim deste ano contra a covid-19. Além das 100 milhões de doses da Coronavac contratadas pelo Ministério da Saúde, o governo de São Paulo já tem negociadas outras 20 milhões de doses para a população do Estado.

Com a transferência de tecnologia, o Butantan receberá permissão para produzir também os insumos que compõem a vacina, que então será integralmente confeccionada no País. Esse direito é que permitirá com que os estudos para a unificação dos dois imunizantes seja possível. Além de ter potencial para proteger a população contra casos graves das duas doenças, a vacinação dupla ainda facilitaria a adesão das pessoas, que seriam convocadas para uma e não duas campanhas. A questão logística também seria simplificada, assim como os custos, que cairiam com a otimização de pessoal e materiais, como seringas e agulhas.

O Butantan já participa de um grupo coordenado pela Fiocruz Minas que estuda a viabilidade de um único imunizante para as duas doenças. Ambas as iniciativas ainda estão em fase de planejamento.

Para especialistas, a proposta de juntar dois imunizantes em uma única dose, já praticada em vacinas como a tríplice viral, é interessante e pode otimizar recursos. Eles ressaltam, no entanto, que eficácia e segurança do produto terão de ser novamente testadas. “Serão necessários testes de fase 1, 2 e 3. Eles podem até ser acelerados pelo fato de as duas vacinas já terem sido testadas individualmente, mas precisam acontecer porque qualquer formulação nova precisa ser confirmada. A combinação de antígenos pode provocar algum desbalanço no tipo de resposta imune e, embora raro, pode exacerbar alguma reação inflamatória”, explica Luís Carlos de Souza Ferreira, responsável pelo laboratório de desenvolvimento de vacinas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP)

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