São Paulo registra falta de vacina contra gripe comum

Reportagem verificou que em pelo menos 13 dos 38 municípios da Grande São Paulo há desabastecimento

Fabiane Leite e Karina Toledo

13 Maio 2010 | 08h06

A campanha de imunização de idosos contra a gripe comum sofre de falta de vacinas na região metropolitana do Estado de São Paulo. Em pelo menos 13 dos 38 municípios da Grande São Paulo (exceto a capital) havia desabastecimento em postos: São Caetano do Sul, Santo André, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha, Barueri, Carapicuíba, Embu, Santana de Parnaíba e São Lourenço da Serra. Em Santos, no litoral, pela segunda vez na semana, os estoques estavam no limite, segundo a prefeitura.

Realizada há dez anos no Brasil, sempre no fim de abril, a campanha começou com atraso no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste no último sábado, quando foi lançada em São Bernardo do Campo (SP) num evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador paulista, Alberto Goldman (PSDB).

O Instituto Butantã, do governo estadual, teve dificuldades para dar conta dos 18 milhões de doses encomendadas pelo Ministério da Saúde. A fábrica de vacinas contra a gripe, iniciativa dos governos estadual e federal, não começou a trabalhar a tempo e a produção foi transferida para outra área do instituto. A necessidade de produzir vacinas contra a gripe suína também atrapalhou a tradicional campanha, diz Isaías Raw, do Centro de Biotecnologia do Butantã. "Fizemos o possível e o impossível, mas tumultuou. Atrapalhou tudo."

Além disso, na última segunda-feira, a secretaria estadual informou que 2 milhões de vacinas não passaram no teste de qualidade e o Butantã foi obrigado a buscar o produto no mercado. Só encontrou a vacina trivalente, que combina dose contra a gripe comum e a suína - esta última recomendada inicialmente só para idosos com doença crônica -, o que também causou confusão nos postos. A vacina trivalente, porém, não traz riscos.

Preocupação

Segundo o infectologista Celso Granato, o atraso pode prejudicar a eficácia da campanha contra a gripe comum. "Pode acontecer de os idosos ainda não estarem imunizados quando começarem os primeiros casos de gripe, pois a vacina leva 15 dias para fazer efeito." Os meses de junho, julho e agosto são os que têm maior incidência de gripe.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informa que doses extras da vacina contra gripe foram entregues na manhã de ontem para as cidades. O Ministério da Saúde afirmou em nota que "cabe às secretarias de Saúde do Estado e dos municípios explicarem" o desabastecimento. Informou ainda que 32% dos idosos de SP já foram vacinados. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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