DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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São Paulo tem 4 mortes por dengue em 2015; bairro vive epidemia

Pari tem 341,3 casos por 100 mil habitantes; Prefeitura destaca que área é pouco habitada, mas não descarta levar tenda para o local

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2015 | 16h34

Atualizada às 22h52

SÃO PAULO - Com o avanço nos casos de dengue, a capital paulista já registra quatro mortes causadas pela doença e tem um bairro na região central que vive cenário mais crítico: o Pari é o primeiro a registrar nível epidêmico da doença. Também houve aumento de 153% na quantidade de casos confirmados nas 12 primeiras semanas do ano, em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 3.183 registros para 8.063 - três, em média, por hora.

Conforme o balanço divulgado nesta quinta-feira, 9, pela Secretaria Municipal de Saúde, o Pari aparece com um coeficiente de incidência de 341,3 casos para 100 mil habitantes, o que eleva a situação do bairro de estado de emergência para situação de epidemia - acima de 300 casos por 100 mil habitantes. 

O secretário adjunto da Saúde, Paulo Puccini, não descarta a instalação de uma tenda de atendimento na região central, mas faz questão de minimizar a situação. “É o principal (bairro) em incidência, mas não o principal em número de casos. Isso é importante para pensarmos depois na instalação das tendas. A população do Pari é pequena, e o número é influenciado por isso”, disse Puccini, destacando que a região registrou até agora 61 casos confirmados. 

O Limão, que até o mês passado era o distrito com maior incidência da doença na cidade, registrou 294,6 casos por 100 mil habitantes. Considerando os números da capital até o fim de março, São Paulo tem incidência de 36,6 casos por 100 mil habitantes, enquanto o Estado tem 227,5 casos por 100 mil. Em toda a Região Sudeste, houve 145 mil casos confirmados no primeiro trimestre. 


Em comparação com os números da 10.ª semana (5.834 casos notificados), há queda da doença na capital - com 4.999 notificações na 11.ª semana; e 3.755 na 12.ª. Em números absolutos, a Brasilândia, na zona norte, lidera o ranking da doença. O levantamento da Prefeitura aponta para 586 confirmações de dengue neste ano. No balanço anterior, da 10.ª semana epidemiológica, a região tinha 547 casos. Atrás, vem o Jaraguá, com 466 casos confirmados, ante 351 no último balanço, apresentado no fim de março. 

Cidade Ademar. Agora, a Secretaria Municipal de Saúde também começa a se preocupar com a região da Cidade Ademar, na zona sul. A área tem 461 casos confirmados.

Além das duas novas tendas, na Freguesia do Ó e no Jaraguá, ambas na zona norte, já prometidas em outros momentos, o bairro da zona sul também deve receber o equipamento. 

Nas duas próximas semanas, a Prefeitura fará cronograma de locais de funcionamento e data de início dos trabalhos. O secretário adjunto ressaltou que as tendas não fazem o tratamento da doença nem o atendimento primário. Servem para os pacientes serem hidratados, havendo suspeita clínica ou confirmação. “É para atender quem está com suspeita. É para a pessoa não desidratar. A reidratação precisa ser feita porque é um dos sintomas mais graves.”

Mortes. A vítima mais recente do mosquito na capital é uma mulher de 27 anos, moradora no Lajeado, zona leste, que morreu em 19 de março, apenas três dias após sentir os primeiros sintomas da doença. No dia 16, ela procurou atendimento no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, na Vila Maria, zona norte. No dia seguinte, foi atendida no Hospital Estadual de Guaianases, na zona leste. 

Com queixas de dor de cabeça, febre, fraqueza e mal-estar generalizado, a mulher foi internada na unidade. Por volta das 4 horas do dia 19, a paciente começou a suar frio, perder a sensibilidade do corpo e ter dificuldade para respirar. Às 6h30, segundo a Prefeitura, morreu. 

Em 2014, houve 14 mortes por dengue na capital. Segundo Puccini, dos óbitos suspeitos neste ano, 15 já foram descartados, mas a Prefeitura ainda aguarda a confirmação de mais nove mortes por dengue.



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