Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Sarampo: confirmada 1ª morte no Estado de São Paulo em 22 anos

Homem de 42 anos não tinha registro de vacinas e possuía vulnerabilidade para infecções; capital paulista teve ao menos 1.637 casos da doença neste ano; Estado soma 2.457 casos da doença e tem outros 10.608 em investigação

Paula Felix e Lígia Fomenti, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 12h27
Atualizado 29 de agosto de 2019 | 01h00

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A Secretaria Municipal de Saúde confirmou a primeira morte por sarampo na cidade de São Paulo nesta quarta-feira. 28. A vítima é um homem de 42 anos que não tinha registro de vacinas e possuía vulnerabilidade para infecções. O óbito também é o primeiro registrado no Estado neste ano - não havia mortes provocadas pela doença desde o último surto, em 1997. 

"O paciente faleceu em 17 de agosto e a morte por sarampo foi confirmada hoje. Ele tinha uma condição clínica que o deixava vulnerável a infecções", explica Solange Maria Saboia, diretora da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa). A capital paulista contabiliza 1.637 casos confirmados da doença, que é altamente contagiosa e grave. No Estado de São Paulo, foram confirmados 2.457 casos da doença. Outros 10.608 casos estão em investigação.

Uma campanha de vacinação é realizada pela Prefeitura de São Paulo até este sábado, 31. Ela foi iniciada em junho e é voltada para a população entre 15 e 29 anos. Crianças entre 6 meses e 1 ano também estão sendo vacinadas. De acordo com a diretora da Covisa, 41,4% dos jovens e 62,9% dos bebês foram imunizados.

Um boletim do Centro de Vigilância Estadual mostra que o vírus já chegou a 89 cidades paulistas. As mais afetadas ficam na região metropolitana, mas a secretaria já prevê que o surto se expanda para outras regiões. “Nas últimas duas semanas percebemos que o vírus está indo para o interior”, disse Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria Estadual da Saúde.

Sorocaba, Jundiaí, Catanduva, Bauru, Americana, Aparecida e Vinhedo são algumas das cidades paulistas do interior que já confirmaram casos da doença. Segundo Helena, não haverá, por enquanto, nova campanha focada em algum público específico, mas as vacinas estão disponíveis nos postos de saúde para pessoas de 1 a 59 anos que não têm as duas doses obrigatórias ainda. “Nossa estratégia agora é conscientizar a população sobre a necessidade de se vacinar e realizar bloqueios vacinais em locais onde há casos suspeitos.”

Sarampo pelo Brasil

De acordo com o balanço divulgado nesta quarta-feira, 28, pelo Ministério da Saúde, a doença agora está presente em 13 Estados. A grande maioria dos casos está concentrada em São Paulo, que confirmou 2.299 infecções. A diferença nos números se dá pelo fato do balanço do Ministério da Saúde ser menos atualizado que o da Secretaria Estadual da Saúde de SP.   

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, ao analisar os números, afirma haver uma tendência de o surto ter atingido uma estabilidade. "Esse é o cenário da semana passada. Estamos investigando, mas já demonstra uma projeção de pequena tendência de redução de casos", afirmou o secretário.

Diante do aumento de casos da doença este ano, o governo alterou a recomendação da imunização. Todas as crianças entre 6 meses e 1 ano deverão tomar uma dose da vacina, batizada de zero. A estratégia tem como objetivo tentar ampliar a proteção dessa população,

considerada mais vulnerável. Nessa faixa etária, a relação é de 46 casos a cada 100 mil habitantes. Entre bebês de 1 a 4 anos, a relação é de 12 casos a cada 100 mil habitantes. A dose zero é uma espécie de reforço antecipado. A aplicação da vacina não dispensa as duas demais doses, que ocorrem aos 12 e 15 meses. Nesta segunda-feira, 26, o Ministério da Saúde iniciou  o envio de 1,6 milhão de doses extras de vacina tríplice para todos os Estados para atender a nova estratégia. 

Sarampo pelo mundo

Relatório divulgado no início de agosto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o número de casos de sarampo contabilizados em todo o mundo no primeiro semestre deste ano é o maior registrado no período desde 2006. 

De acordo com a agência, que publicou os dados no dia 12 de agosto, foram confirmados 364 mil casos de sarampo no mundo nos primeiros seis meses de 2019, quase o triplo do registrado no mesmo período de 2018, quando 129 mil infecções foram confirmadas.

Ainda segundo a OMS, República Democrática do Congo, Madagascar e Ucrânia são os países com o maior número de casos reportados neste ano. Há grandes surtos ativos também em Angola, Camarões, Chade, Cazaquistão, Nigéria, Filipinas, Sudão, Sudão do Sul e Tailândia.

O relatório apontava que, nas Américas, o Brasil é o país com o segundo maior número de casos, atrás apenas de Estados Unidos. Na Europa, até a data da publicação do relatório, já tinham confirmados quase 90 mil casos, mais do que os 84 mil registros contabilizados em todo o ano de 2018.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.