Satélite desativado da Nasa deve cair na Terra até a manhã de sábado

Agência espacial insiste que o risco para as pessoas é pequeno; ainda é cedo para saber ponto de impacto

Efe e Reuters

23 de setembro de 2011 | 07h00

 

CABO CANAVERAL, Estados Unidos - Um satélite científico desativado da Nasa deve cair na Terra, espalhando detritos em algum ponto imprevisível do planeta, segundo cientistas da agência espacial norte-americana (Nasa). A Nasa revisou na manhã de sexta-feira, 23, a previsão da data de impacto, colocando a reentrada do satélite entre o final do dia de hoje e a manhã deste sábado, 24.

A agência espacial insiste que o risco para as pessoas é extremamente pequeno.  

Segundo o comunicado mais recente da agência, há agora alguma probabilidade de que os detritos caiam sobre os Estados Unidos, embora ainda não possa precisar o lugar do impacto. A Nasa também acrescentou que o satélite se aproxima agora de maneira mais devagar da Terra e que a atividade solar não influencia mais a sua rota. 

Segundo a Nasa, ainda é muito cedo para prever a hora e o local de reingresso com mais certeza, mas os prognósticos serão mais precisos nas próximas 24 horas. 

A probabilidade de que alguma pessoa seja atingida pelos detritos é de um em 3.200, afirmou a agência espacial. 

A previsão inicial era que o satélite cairia no final de setembro ou no início de outubro, mas sua queda foi antecipada pelo forte aumento da atividade solar na semana passada. 

Nasa. "A atmosfera muda todos os dias. É impossível dizer como isso irá afetar a sua volta", disse Michael Duncan, vice-líder do departamento de percepção situacional do espaço no Comando Estratégico dos Estados Unidos.

A órbita do satélite sobrevoa a maior parte do planeta e por enquanto, só se sabe que ele cairá entre o norte do Canadá e o sul da América do Sul.

Segundo a Nasa, os detritos muito provavelmente cairão no oceano ou em áreas desabitadas. A órbita do satélite passa por grande parte do planeta, desde o norte do Canadá até parte do sul da América do Sul. A probabilidade de que alguém seja atingido pelos detritos é de um em 3.200, afirmou a agência espacial.

Devido ao seu grande tamanho, a entrada na atmosfera do satélite será visível, caso haja alguém por perto.

Mesmo a Nasa tendo explicado que não se conhece nenhum caso de pessoas feridas por objetos espaciais, as Forças Armadas dos Estados Unidos advertem os cidadãos que, caso os restos do satélite caiam em uma área povoada, que avisem as autoridades e que não toquem estas peças.

O motivo do aviso não é apenas por questões de segurança, mas também porque todos os restos do satélite são propriedade do Governo americano, de modo que, insistem as autoridades, "não se pode vender para colecionadores, nem através do site eBay".

O satélite. O Uars (Satélite de Pesquisas da Atmosfera Superior, na sigla em inglês) pesa 6,5 toneladas e foi colocado em órbita pelo ônibus espacial Discovery em 1991. Projetado para medir as mudanças atmosféricas e os efeitos da poluição, ele funcionou durante 14 anos fazendo medições do ozônio e de outras substâncias químicas da atmosfera.

Desde que completou sua missão, em 2005, o Uars vem lentamente perdendo altitude, por causa da gravidade terrestre. Na sexta-feira, a peça de 10,6 metros de comprimento e 4,5 metros de diâmetro deve mergulhar na atmosfera, segundo o site da Nasa.

A maior parte do equipamento acabará sendo incinerada na queda, mas os cientistas preveem que até 26 peças, com um peso total de 500 quilos, poderão sobreviver ao atrito e cair em algum lugar do planeta. O maior pedaço esperado, parte da estrutura do satélite, deve pesar 150 kg.

Outros casos. Satélites e corpos rochosos caindo na Terra não são nenhuma novidade. No ano passado, cerca de 400 pequenos pedaços de detritos entraram em nossa atmosfera e puderam ser encontrados.

Partes velhas de foguetes e satélites entram na atmosfera terrestre uma vez por semana. Um grande satélite como o UARS (que tem 10 metros de comprimento e 4,5 metros de diâmetro) volta à Terra uma vez por ano.

É muito difícil calcular com precisão quando chegará à Terra um satélite fora de controle. Qualquer pequena mudança na hora de sua volta na atmosfera é traduzida em milhares de quilômetros de diferença sobre o lugar onde cairá.

A chegada do Uars estava prevista para final de setembro ou início de outubro, mas sua queda será antecipada devido ao forte aumento da atividade solar na semana passada.

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