Myke Sena/Ministério da Saúde - 12/01/22
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Saúde convoca apresentação sobre a vacinação infantil, mas veta participação de repórteres

Pasta disse não se tratar de coletiva de imprensa e que, por isso, foi permitida somente a entrada de profissionais do audiovisual; no anúncio do evento consta que o ministro Marcelo Queiroga 'convida a imprensa para acompanhar o recebimento do primeiro lote de vacinas'

Weslley Galzo, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 12h22

BRASÍLIA O Ministério da Saúde agendou para esta quinta-feira, 13, a realização de um evento, com a participação da imprensa, para apresentar as primeiras doses do imunizante que será utilizado na campanha de vacinação infantil. As crianças devem começar a se vacinar nesta sexta-feira, 14, em algumas regiões do País. A novidade foi o veto à presença de repórteres. Procurada pela reportagem, a pasta disse não se tratar de coletiva de imprensa e que, por isso, foi permitida somente a entrada de profissionais do audiovisual.

No anúncio do evento consta que o ministro Marcelo Queiroga “convida a imprensa para acompanhar o recebimento do primeiro lote de vacinas covid-19” destinadas ao público infantil. No informe também fica registrada a informação de que “será permitida apenas a entrada de um cinegrafista ou fotógrafo por veículo”.

“O Ministério da Saúde esclarece que a área de armazenamento onde foram recebidas as vacinas contém insumos sensíveis, portanto a circulação de pessoas é restrita e controlada ao menor número possível. A prioridade foi garantir as imagens de forma igualitária para todos os veículo de imprensa”, justificou a pasta em nota ao Estadão.

O evento estava previsto para ter início às 10h horas desta quinta na sede da IBI Logística, em Guarulhos, onde ficarão armazenadas as primeiras doses do imunizante Comirnaty, da farmacêutica Pfizer. O primeiro lote com as vacinas chegou ao Brasil na madrugada de hoje. Foram entregues 1,2 milhões de doses ao governo federal, que inicia agora a distribuição nos estados e municípios, de acordo com o critério populacional.

O ministério, sob o comando de Marcelo Queiroga, resistiu à inclusão das crianças de 5 a 11 anos no Programa Nacional de Imunização. O ministro já havia dito, em dezembro de 2021, que a vacinação infantil não era “consensual” e merecia mais discussões, o que contrariava à época o posicionamento consolidado entre especialistas em saúde pública.

No dia 20 de dezembro, o ministro da Saúde disse que a “pressa é inimiga da perfeição” ao tratar da vacinação infantil e afirmou que o assunto precisava ser tratado “sem açodamento”. Na queda de braço com autoridades em saúde pública, a pasta abriu consulta pública nos últimos dias do ano passado para avaliar a receptividade da população a propostas como a exigência de prescrição médica para vacinar os mais jovens, mesmo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já ter dado aval à imunização de crianças.

“Colocaremos em consulta pública esse assunto para que a sociedade tome conhecimento e registre sua opinião. Não é eleição para saber quem quer e quem não quer, é ouvir a sociedade”, disse Queiroga à época.

O resultado da consulta constatou a rejeição dos brasileiros à necessidade de recomendação clínica para a vacinação algo que não é exigido em outras campanhas, como a da gripe. O governo ainda realizou audiência pública sobre o tema. Somente no dia 5 deste mês foi anunciada a aplicação de doses em crianças. O intervalo das duas doses pediátricas será de 8 semanas e a imunização começa ainda em janeiro.

Ao passo em que o Ministério da Saúde atrasava o início da vacinação infantil com a realização de consultas, especialistas alertavam para a necessidade de imunizar completamente as crianças antes do início do ano letivo, o que não deve ocorrer a tempo já que as aulas presenciais em muitos estados estão previstas para começar em fevereiro.

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