Saúde convocará médicos aposentados do Rio contra dengue

Profissionais que trabalham em atividades burocráticas também podem ser convocados para o trabalho

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2008 | 13h42

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta quarta-feira, 2, que médicos aposentados e que trabalham em atividades burocráticas poderão ser chamados para trabalhar no atendimento de pacientes com dengue no Rio. O recurso vem sendo estudado para tentar enfrentar a falta de médicos para atendimento na cidade. Temporão usou como exemplo o Hospital Anchieta, que abriu 90 leitos na segunda-feira, 31. "Mas só 30 foram efetivamente usados, porque não havia médicos suficientes", completou.  Acompanhe o avanço da dengue Temporão disse também que o Conselho de Secretários Estaduais de Saúde deverá apresentar uma lista com médicos pediatras dispostos a trabalhar no Rio neste período de crise. A idéia é que 150 profissionais sejam transferidos.  O Ministério contratou emergencialmente 600 profissionais para atuar no atendimento de dengue, dos quais 400 já estão trabalhando.  Na terça-feira, 1,  Temporão admitiu a possibilidade de ampliar o número de contratados. Está sendo estudada ainda a possibilidade de se abrir o atendimento em três hospitais federais, que hoje não recebem pacientes no Pronto Socorro. Temporão reforçou a necessidade de outros Estados ampliarem as atividades de prevenção da dengue. Entre os locais que merecem maior atenção, afirmou, estão o Amazonas, Rondônia, Pará, Rio Grande do Norte, Bahia , além do Rio. "Esses locais estão longe de ter um problema grave como o Rio, mas é preciso aumentar os esforços", completou.  Para o ministro, a forma de controle da doença precisa mudar. "Já passou a fase do mutirão, do Dia D. Dengue tem de ser combatida durante todo o ano", completou. Ele alertou, ainda, para o risco enfrentado em 2008, ano eleitoral, quando administradores geralmente baixam a guarda para ações de prevenção. "Esta é uma lição que o Brasil deveria ter aprendido e não aprendeu. Todos os anos de disputa municipal, a guerra contra dengue é perdida. Programas são desmobilizados, servidores são demitidos", disse. Sobre as críticas enfrentadas pelo aumento do número de casos de dengue, ele afirmou: "Acho lamentável. O slogan (ministro da Dengue) vem de um movimento político-partidário que me vejo absolutamente fora." Ele disse ainda lamentar "a politicagem com uma coisa tão grave."

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