Saúde estima que 8,8% dos que adquirem tuberculose não completam tratamento

Encontro sobre a doença reúne especialistas, coordenadores e promotores até esta 3ª em Brasília

Agência Brasil

30 de agosto de 2010 | 20h22

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde calcula que 8,8% das 72 mil pessoas que adquirem a tuberculose por ano no Brasil não completam os seis meses de tratamento.

 

"Esse valor está acima do permitido pela OMS [Organização Mundial da Saúde], que é de 5%", disse nesta segunda-feira, 30, o coordenador do Programa Nacional de Combate à Tuberculose, Draurio Barreira.

 

Barreira falou durante encontro que reúne em Brasília coordenadores estaduais de programas de controle da doença, promotores de Justiça, médicos e especialistas em bioética.

 

O "1º Seminário Tuberculose, Cidadania e Direitos Humanos: Refletindo sobre Deveres para Afirmação dos Direitos das Pessoas com Tuberculose" vai até esta terça-feira.

 

O coordenador explicou que o abandono do tratamento é causado pela falsa sensação de cura. "Com duas semanas, o paciente sente melhora e acha que está curado", afirmou.

 

Na palestra, Barreira apresentou questões como: "Até onde pode ir o Estado no controle da tuberculose?" e "Será que ele deve internar o paciente ou promover atrativos para que ele não interrompa o tratamento?".

 

Para aumentar o número de pacientes que mantêm o tratamento até o fim, o Ministério da Saúde estuda oferecer benefícios como auxílio-transporte e cesta básica.

 

A interrupção da terapia pode provocar resistência aos remédios. Além disso, o paciente representa um risco para pessoas próximas, já que o contágio é feito de forma direta, pelo ar. Essa possibilidade é o motivo pelo qual o direito coletivo deve estar acima do individual, segundo o promotor de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre, Mauro Luís Silva de Souza.

 

"Se a pessoa oferecesse risco só para ela seria uma coisa, mas ela pode transmitir a doença para quem a cerca", disse. Ele ressaltou, no entanto, que o governo deve usar todos os mecanismos disponíveis antes de obrigar as pessoas a passar pelo tratamento completo.

 

Para o promotor, a situação da doença se agravou nos últimos dez anos. "Além disso, houve um afrouxamento do acompanhamento, porque trabalhamos com a ideia de que a pessoa se trata se quiser", afirmou. Ele contou que já fez vários pedidos de internação para pacientes que transmitiram a enfermidade a familiares.

 

A doença

 

A tuberculose é causada pelo bacilo de Koch e pode atingir todos os órgãos do corpo, principalmente os pulmões. Fraqueza, perda de peso e do apetite e tosse persistente são alguns dos sintomas.

 

De acordo com a OMS, a doença atinge 8 milhões de pessoas por ano. Dessas, cerca de 2 milhões morrem. No Brasil, estima-se que a tuberculose provoque a morte de 4,7 mil dos 72 mil casos registrados anualmente.

 

Em 2002, apenas 3,3% dos pacientes recebiam acompanhamento. Hoje, esse número aumentou para 43%.

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