Saúde exige liderança do governo e funcionários 'motivados e treinados', diz Padilha

Brasileiro assina ao lado de outros ministros editorial em boletim da OMS

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

01 Novembro 2013 | 11h03

GENEBRA - A solução para a falta de recursos humanos na saúde exige políticas de longo prazo, colaboração dos diversos setores envolvidos, liderança do governo e funcionários "motivados e treinados". O recado é do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que assina ao lado de outros ministros um editorial no boletim que a OMS está divulgando nesta sexta-feira, 1, em Genebra.

O texto divulgado em inglês para todo o mundo aponta que o Brasil, com o SUS, promoveu uma "melhoria no sistema de recursos humanos" no setor de saúde e que o número de médicos para cada mil pessoas foi incrementado. "Uma colaboração intersetorial e entre agências foi necessário para atingir um crescimento sustentável e uma distribuição mais equitável de trabalhadores", indicou.

O texto não cita a importação de médicos, o programa Mais Médicos, e apenas indica que, em cerca de 20 anos, a densidade de médicos no País passou de 1,17 para mil brasileiros para 1,74 em 2007. "Equipes de saúde familiar foram enviadas às áreas rurais", disse.

O grupo de ministros e políticos, que conta ainda com Zâmbia, Indonésia e outros países, aponta que a agenda de recursos humanos para a Saúde apenas vai avançar "com o compromisso de uma liderança política" para garantir que populações sejam atendidas de forma "sustentável". Mas insistem que, no lugar de copiar e importar modelos do exterior, países devem adaptar as lições de outros governos com suas próprias tradições, principalmente reforçando a ação de trabalhadores do setor da saúde como parteiras, enfermeiros e assistentes. "No lugar de copiar estruturas e arranjos do exterior, países devem incluir isso com lições de suas ricas tradições", indicou o texto que tem a assinatura de Padilha.

No editorial, ministros defendem que os sistemas de saúde sejam fortalecidos. "A chave para tal fortalecimento e melhorar a cobertura dos serviços de saúde é a disponibilidade de um mão de obra motivada, treinada, distribuída de forma equitável e suficiente", declarou.

O texto admite que os desafios "são complexos" nessa área e que "soluções de curto prazo" não são suficientes. O editorial ainda pede estratégias de longo prazo "para lidar de forma sistemática com os problemas profundamente enraizados de recursos humanos". O editorial ainda fala em uma "colaboração" com os diferentes atores, mas "liderado por governos nacionais".

O editorial ainda é concluído com uma apelo para que haja "liderança estratégica" dos governos e "robusta coordenação", algo que "apenas um compromisso político de alto escalão garante".

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