Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Saúde mental já recebia pouco investimento e situação piora com a pandemia, diz OMS

A organização apontou que, mesmo antes da covid-19, serviços na área já não supriam a demanda

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 15h33

Frente a um possível aumento nos casos de transtornos mentais durante a pandemia, a diretora do Departamento de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dévora Kestel, alertou nesta quarta-feira, 26, que a disponibilidade de atendimento médico na área já não supria a demanda antes da covid-19.

“Os serviços já são limitados. Somente 2% do orçamento em saúde, mundialmente, é investido neste segmento”, afirmou durante transmissão para responder dúvidas do público. “Em condições normais, já não existe capacidade para os países proverem atendimento”.

Segundo a OMS, 1 bilhão de pessoas no mundo possuem transtornos mentais, mas 75% dos casos não são atendidos em países de renda média ou baixa. Em nações de renda alta, essa porcentagem é de 50%.

A diretora declarou que embora ainda não existam dados referentes ao aumento de distúrbios como ansiedade e depressão relacionados a esta pandemia, uma a cada cinco pessoas sofrem deste tipo de transtorno durante emergências similares.

“Alguns dos transtornos vão passar conforme sairmos desta crise, mas muitos vão permanecer. Precisamos trabalhar agora para evitar problemas futuros”, acrescentou. Para Dévora, o surto mundial do novo coronavírus deve ser usado como uma oportunidade para requisitar mais investimentos públicos em saúde mental, do nível municipal ao nacional.

A líder técnica da resposta à covid-19 da OMS, Maria Van Kerkhove, destacou a urgência da disponibilidade de suporte médico nesta área, já que a entidade não tem perspectiva do fim da pandemia. “Precisamos assegurar que temos esses serviços em funcionamento agora. Não é algo que pode esperar”.

Entre as recomendações para lidar com o estresse durante a crise global, a organização indica se manter socialmente conectado, utilizando meios de comunicação para isso, e manter uma rotina. A OMS também pede que o consumo de álcool para enfrentar a situação seja evitado, uma vez que pode piorar possíveis transtornos.

Estresse em profissionais de saúde

Maria ressaltou que, apesar do estresse generalizado, o impacto psicológico sofrido pelos trabalhadores de saúde em locais com surtos intensos de covid-19 não pode ser subestimado. “Estão lidando com pacientes muito doentes, muitas mortes. Isso tem um peso enorme”. 

Em cada país, de 10% a 20% dos casos registados do novo coronavírus estão entre profissionais da área, segundo a entidade. A líder técnica apontou a necessidade de suporte psicossocial, períodos de descanso e equipamentos de proteção individual apropriados para esse grupo.

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