Saúde pede que áreas de emergência separem vítimas de gripe

Instituições do Rio Grande do Sul já atendem suspeitos de gripe em contêineres especialmente montados

Lígia Formenti, da Agência Estado,

20 Julho 2009 | 19h36

O Ministério da Saúde recomendou que Estados e Municípios separem, na emergência de hospitais, pacientes com sintomas de gripe e outros problemas respiratórios dos demais, mesmo que para isso seja preciso montar tendas de atendimento. O secretário de Assistência à Saúde, Alberto Beltrame, afirmou que o ideal é estabelecer duas portas para receber pacientes na emergência.

 

"Nos casos em que essa divisão não é possível, a saída é montar tendas", completou. A medida é importante para garantir o atendimento mais rápido e evitar que pacientes com outros problemas de saúde tenham contato com pessoas com sintomas da gripe suína.

 

Instituições do Rio Grande do Sul já começam a atender suspeitos de gripe em contêineres especialmente montados para esse fim. Em Minas, parte dos hospitais montaram serviços específicos na emergência, para atender apenas pacientes com sintomas de problemas respiratórios.

 

O diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, afirmou ser importante que pacientes com risco de agravamento da doença, como crianças menores de dois anos, pessoas portadoras de doenças como diabetes e insuficiência respiratória sejam atendidos mais rapidamente possível. Desde a semana passada, na lista de doenças consideradas de risco para agravamento da gripe passou a incorporar outro problema: a obesidade mórbida.

 

Para Hage, todas essas medidas são úteis para evitar casos graves de gripe suína. "Esse agora é nosso maior objetivo." Em sua avaliação, agora não há mais razão para suspensão de aulas, suspensão de eventos coletivos quando há sintomas da doença. "Isso não vai ajudar a evitar a propagação." De acordo com ele, não há mais medidas efetivas para afastar o risco de casos novos. "Nossa meta é tratar casos graves e fazer o possível para evitar mortes."

 

A taxa oficial de mortes por gripe suína é de 0,45%, algo bem semelhante ao que é apresentado pela gripe comum. Autoridades sanitárias, no entanto, agora se deparam com um desafio: monitorar se esse desempenho vai se manter, ao longo dos próximos meses.

 

A dificuldade surge diante da mudança no método da condução da doença. Ao contrário do que ocorria no começo da epidemia, agora não são mais contabilizados todos os casos da doença. E os testes para confirmar H1N1 estão restritos a casos graves. "A saída será usar como parâmetro as mortes apenas contabilizadas dentro do grupo de pacientes com casos graves."

 

Hage explica, porém, que a tarefa não é tão fácil. É preciso, por exemplo, estabelecer critérios para saber se a morte foi provocada pela gripe ou não. Isso evitaria um fenômeno semelhante ao que ocorre na Argentina. Naquele país, há suspeita de que parte das mortes atribuídas a gripe suína tenham sido provocadas por outros distúrbios. Nesta semana, numa reunião de Chefes de Estado, programada para 4ª e 5ª feira em Assunção, a ideia é discutir novos parâmetros para fazer tal avaliação. "A meta é criar um padrão único, que traga a definição de quais critérios devem ser usados para atribuir se a morte é ou não provocada pelo H1N1, por exemplo", completou Hage.

 

Ele voltou a orientar a população a procurar postos de saúde, médicos do Programa Saúde da Família e postos de saúde em vez de hospitais. Ele observou que centros de referência são indicados para casos mais graves.

 

Semana que vem, o Ministério da Saúde deverá receber o primeiro lote de oseltamivir encapsulados por Biomanguinhos. De acordo com o diretor, não há falta de medicamentos no País. A previsão é de que, na próxima semana, tenham disponíveis nos estoques 200 mil tratamentos para a gripe suína.

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