Saúde quer que médicos da rede pública incentivem exames preventivos em homens

Ideia é pedir exames como de aids e colesterol na mesma época em que parceiras fizerem pré-natal

Agência Brasil

14 Setembro 2010 | 16h27

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde quer que os médicos da rede pública incentivem homens a fazer exames preventivos na mesma época em que suas parceiras estiverem passando pelo exame pré-natal.

O governo vai levar a orientação aos Estados e municípios, e cada um definirá a estratégia para transmitir a recomendação à comunidade. Uma das ideias é que a mulher seja acompanhada pelo parceiro nas consultas médicas durante a gestação, quando o profissional de saúde poderá agendar exames de prevenção para o pai, principalmente de aids, sífilis, hepatites B e C, coração e taxa de colesterol.

“Vamos procurar formas para que o homem tenha mais contato com o serviço de saúde. Isso já acontece na rede privada”, explica o diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do ministério, José Luiz Telles.

Pesquisas indicam que os homens procuram menos atendimento médico em comparação às mulheres. A maioria vai ao hospital ou posto de saúde quando já está doente. De acordo com o diretor, a questão cultural é o principal fator que leva a população masculina a negligenciar os cuidados com a própria saúde. “A nossa cultura diz que ser homem é não ser vulnerável. Só se procura o médico quando não se consegue mais trabalhar”, afirma Telles.

Segundo o diretor, alguns municípios já adotaram programas para aumentar o número de consultas e exames entre os homens, como Ribeirão Preto (SP), Várzea Paulista (SP) e Rio de Janeiro. Um levantamento do ministério mostra que algumas das principais causas de morte na população masculina são doenças cardiovasculares e cerebrais, além da violência. Eles vivem, em média, sete anos menos que as mulheres.

Em agosto de 2009, foi criada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. As prefeituras que aderem à política recebem repasse federal de R$ 75 mil para implantar projetos. Atualmente, 80 municípios brasileiros estão participando.

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