Divulgação/Bharat Biotech
Divulgação/Bharat Biotech

Saúde soma vacina indiana, ainda sem aval da Anvisa, e volta a aumentar previsão de doses para março

Com a mudança, a pasta sobe novamente a estimativa de doses para o mês, de 30 milhões para 38 milhões. O cronograma vem sendo alterado frequentemente

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 22h18

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde voltou a alterar, na noite desta sexta-feira, 12, o cronograma de entrega de vacinas ao País e reinseriu na previsão de março a Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, ainda que o uso do produto nem sequer esteja sob análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a mudança, a pasta sobe novamente a estimativa de doses para o mês, de 30 milhões para 38 milhões.

O cronograma vem sendo alterado frequentemente. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ainda dá informações diferentes daquelas divulgadas pela pasta. "Estamos garantidos para março entre 22 e 25 milhões, podendo chegar a 38 milhões de doses", disse o general na quarta-feira, 10, em evento no Palácio do Planalto, enquanto a Saúde apontava 30 milhões vacinas para o período.

No mês passado, o governo chegou a estimar que 46 milhões de vacinas seriam entregues em março. Além disso, esperava 11,3 milhões de unidades para fevereiro, mas somente 6,25 milhões foram distribuídas.

As previsões do governo federal têm sido alteradas por entregas frustradas, como a encomenda de 12 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, fabricadas na Índia: até agora somente 4 milhões foram liberadas ao Brasil. Além disso, houve atraso na produção da Fiocruz, que prevê entregar 3,8 milhões de doses neste mês, enquanto o ministério chegou a esperar cerca de 13 milhões.

No total, o ministério espera receber 424,91 milhões de doses em 2021. Ainda tem “cronograma previsto” para outras 151 milhões de vacinas da Pfizer e Janssen, que devem assinar contrato com o governo na próxima semana.

Na atualização do cronograma, o ministério antecipa a entrega de doses da Pfizer, como ficou acordado com a empresa após reunião nesta semana. A primeira parcela, de 1 milhão de doses, deve chegar ao País em abril. São 100 milhões de unidades no total.

Vacina indiana

A Covaxin apresentou eficácia de 81% em estudos preliminares de fase 3. Mesmo antes de o dado ser conhecido, a vacina passou a ser aplicada na Índia. Representante do produto no Brasil, a empresa Precisa Medicamentos tem reunião com a Anvisa no próximo dia 15 para tratar de pedido de uso emergencial da vacina.

Pela Lei 14.124, sancionada nesta semana, a Anvisa tem sete dias para avaliar um pedido de uso emergencial de imunizante aprovado em uma série de países, inclusive a Índia, caso em que se enquadra a Covaxin. A agência, porém, pode negar este aval dentro deste prazo.

Em regra própria, a agência afirma que só irá aceitar o pedido em até uma semana se o parecer que levou a vacina a ser aprovada nestes países mostrar que são atendidos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outras entidades. Caso a Anvisa não fique satisfeita com os dados entregues pela Índia, por exemplo, irá avaliar em até 30 dias o pedido de uso emergencial de casos como a Covaxin, que não fez testes clínicos no Brasil.

Como revelou o Estadão, a Precisa Medicamentos tem como sócia a Global, uma firma que deve cerca de R$ 20 milhões ao Ministério da Saúde por medicamentos não entregues de uma compra feita pela pasta em 2017, durante a gestão do atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Em ação de improbidade, o Ministério Público Federal no DF afirma que Barros pressionou funcionários da pasta para favorecer esta empresa em contratos. O deputado nega a acusação.

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