Se a Europa tem mães mais velhas, na América preocupa a gravidez precoce

No Brasil, foi registrado um atraso na idade de maternidade com um aumento das mulheres que têm filhos com mais de 30 anos, grupo que concentra 31,3% dos partos

Efe,

11 de maio de 2012 | 11h01

 O Dia das Mães, comemorado em maio na maior parte do mundo, ocorre em 2011 diante da tendência da maternidade cada vez mais tardia e um número menor de filhos na Europa, mas, em vários países da América, o fenômeno que mais preocupa é a gravidez na adolescência.

Consolidar a carreira profissional, conseguir uma estabilidade econômica e encontrar ao companheiro perfeito são os objetivos que cada vez mais mulheres possuem antes de ter seu primeiro filho. O Dia das Mães é uma celebração generalizada pelo mundo e embora nem todos os países comemorem na mesma data, a maioria celebra em maio, que para a tradição católica é o mês da virgem Maria, a mãe de Jesus.

Longe do sentido comercial que tem a data, o costume de honrar as mães tem origem na Grécia, onde eram realizadas festas em honra a Rhea. Já o Dia das Mães nos moldes de hoje nasceu nos Estados Unidos no início do século XX, quando Ana Jarvis, uma jovem da Filadélfia perdeu a mãe em 1905 e promoveu a celebração de um dia em sua memória. Em 1914, a iniciativa foi proclamada festa nacional e na maior parte da América, o Dia das Mães é celebrado no segundo domingo de maio.

No Brasil, foi registrado um atraso na idade de maternidade, segundo dados de 2010, que revelaram um aumento significativo das mulheres que têm filhos com mais de 30 anos, grupo que concentra 31,3% dos partos. O envelhecimento das mães brasileiras se une à queda da fecundidade, que passou de 2,38 filhos em 2000 a 1,86 em 2010.

A taxa também caiu no Uruguai, de 2,5 filhos em 1996 a 1,97 em 2011 e a idade da maternidade passou na última década, dos 24 aos 28 anos. No Chile, a maternidade não só atrasou como o crescimento da população praticamente parou nos últimos anos, em 17 milhões de habitantes.

Em Cuba, as mulheres têm seu primeiro filho a uma idade média de 24 anos no caso de mulheres que não trabalham e com 28 no caso das ativas. Há 30 anos, as cubanas não cobrem o nível de substituição populacional - pelo menos uma filha por mulher - e a expectativa de família pequena foi acentuada.

No entanto, em países como a Colômbia e Equador o problema que mais preocupa é o da gravidez precoce. Entre as jovens equatorianas entre 15 e 19 anos mais de 17% são mães, e segundo os dados de 2010, 20% dos partos foi de adolescentes nessa faixa de idade. Na Colômbia, a cada dia, 19 meninas menores de 15 anos dão luz, e a cada ano 90 entre cada mil adolescentes ficam grávidas.

Na Europa, onde o Dia das Mães também é celebrado no segundo domingo de maio na maioria de países, a idade média das mulheres que se tornam mãe ultrapassa a fronteira dos 30 anos. Na Suíça, dados de 2010 mostram que as mães tinham seu primeiro filho com 31,7 anos, quando em 1970, era aos 27,8 anos.

As espanholas, que comemoram o Dia das Mães no primeiro domingo de maio, dão luz aos 31,3 anos e o número médio de filhos é de 1,38, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No Reino Unido, entre 2010 e 2011, o número de mulheres inglesas com 40 anos ou mais velhas que deram luz aumentou em 71% na Inglaterra e País de Gales.

O atraso na maternidade também é o aspecto mais relevante na Alemanha. Em 1990, as mulheres com 23 anos registravam o maior número de nascimentos, frente à 30 anos em 2010. O país possui o menor número de crianças na Europa: só 16,5% dos mais de 81 milhões de cidadãos alemães são menores de 18 anos.

No Japão, um dos países com menor taxa de natalidade, a idade média das mulheres que dão à luz pela primeira vez aumentou nas últimas décadas até 29,7 anos em 2009. No entanto, em países como a Índia, a idade de maternidade mal variou nas últimas duas décadas e oscila entre 19 e 20 anos.

Já no Egito, a idade da maternidade aumentou por causa das difíceis condições econômicas do país que fazem com que as pessoas se casem e tenham filhos cada vez mais tarde. Da mesma forma, diante da difícil situação socioeconômica do Líbano e do trabalho da mulher fora de casa, as libanesas se casam cada vez mais tarde, rompendo em certo modo um tabu da sociedade oriental.

Na Arábia Saudita, os clérigos sauditas se opõem a qualquer festa que não esteja mencionada na sharia (lei islâmica), incluído o Dia das Mães.

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