Axel Schmidt/Reuters
Axel Schmidt/Reuters

Após ministério falar em morte por covid em janeiro, MG aponta erro e diz que caso é de abril

Ministério diz que primeira vítima da covid-19 foi uma mulher de 75 anos de Minas Gerais que faleceu em 23 de janeiro de 2020

Leonardo Augusto, especial para O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2020 | 12h51
Atualizado 03 de abril de 2020 | 20h32

BELO HORIZONTE - A Secretaria de Estado de Saúde afirmou no início da noite de hoje, 3, ter ocorrido um erro no cadastro da paciente citada pelo Ministério da Saúde como sendo o primeiro do Brasil infectado pelo coronavírus, e que, neste caso, o início dos sintomas ocorreu em 25 de março, e não em 23 de janeiro. O resultado para o covid-19 saiu no dia 31 e a morte ocorreu em 1 de abril. A paciente tinha 76 anos.

A secretaria disse ser "importante destacar que normalmente quem realiza a notificação dos dados são os municípios ou os prestadores (hospitais) e essa notificação é cadastrada em uma plataforma nacional", afirmou a pasta, em nota.

Na quinta-feira, 2, o ministério havia informado que a primeira vítima da covid-19 foi uma mulher de 75 anos de Minas Gerais que morreu em 23 de janeiro de 2020. Antes deste posicionamento, as autoridades de saúde do País afirmavam que o primeiro caso da doença havia ocorrido mais de um mês depois, em 26 de fevereiro, de um paciente de São Paulo. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que "o achado é uma mostra da capacidade de investigação do sistema de vigilância brasileiro".

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde havia afirmado que aguardava informações do ministério para prosseguir com as investigações sobre o caso. A pasta diz que em janeiro de 2020 "foram registradas 163 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais, que podem ter sido provocadas por diversas doenças respiratórias. Destas, 71 notificações foram de SRAG em pacientes com mais de 70 anos de idade". Os dados, segundo a secretaria, constam no Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEP-Gripe).

Acionado, o Ministério da Saúde informou que dados sobre a investigação envolvendo o caso de janeiro deveriam ser buscados na Secretaria da Saúde de Minas Gerais.

Também por nota, o ministério afirmou que já havia anunciado que "faria a testagem para covid-19 retrospectiva de todos as amostras coletadas e guardadas de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), ampliando a investigação epidemiológica para covid-19 e atendendo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS)". E que "todos casos de SRAG no Brasil têm coleta de amostras". O óbito anunciado nesta quinta-feira, conforme o ministério, faz parte desta investigação.

O relatório diário publicado sobre a covid-19 pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais nesta sexta não registra o caso identificado pelo Ministério da Saúde como sendo o primeiro no país, o da paciente de 75 anos que morreu em janeiro. O relatório mostra seis mortes, todas de março, de acordo com a pasta. O total de casos confirmados é de 397, contra 370 registrados até essa quinta. Os casos suspeitos somam 41.339, ante 39.084 do relatório anterior.

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