Secretaria de Saúde confirma dez casos de dengue tipo 4 no estado de SP

Todos os casos estão na região de São José do Rio de Preto

Felipe Tau e Isis Brum, Jornal da Tarde

12 Abril 2011 | 16h59

SÃO PAULO - Subiram para dez o número de casos confirmados de dengue tipo 4 no Estado de São Paulo, de acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde divulgadas hoje.

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A pasta não informou quais municípios apresentaram os oito novos casos, nem o estado de saúde das vítimas. Afirmou, contudo, que os doentes pertencem à região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, onde foram registradas as duas primeiras ocorrências de dengue tipo 4.

 

A Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto afirmou que, desta vez, as pessoas infectadas não são do município. Uma mulher, de 43 anos, foi a segunda e última pessoa confirmada com a doença na cidade e já estaria curada, segundo a secretaria. O primeiro caso conhecido do Estado também ocorreu com uma moradora de Rio Preto.

 

A dengue 4 provoca os mesmos sintomas dos demais sorotipos: dor de cabeça, no corpo e nas articulações, febre, dor atrás dos olhos, diarreia e vômito. Para combatê-la, é preciso evitar recipientes com água parada e limpa, o local preferido para a fêmea do Aedes aegypti depositar os ovos.

 

De acordo com o virologista Maurício Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) – um dos centros que identificam os tipos de dengue – os dados existentes até agora não permitem falar em uma epidemia. “Em 45 dias, saberemos se temos uma circulação sustentada na cidade ou se foram casos isolados”. 

 

Para reduzir os índices de infestação em Rio Preto, a Vigilância Sanitária da cidade está com um projeto curioso: usar peixes ornamentais para combater a dengue. Dos tipos guaru e barrigudinho, os peixes podem ser usados em grandes reservatórios, como o de construções, irrigação de hortas e mesmo nas borracharias. Eles movimentam a água e comem as larvas deixadas pelo mosquito.

 

“Excluímos água de consumo humano por causa das fezes dos peixes”, explica Eli Regina Goulart Bernardes, diretora da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto.

 

Este ano, foram doados cerca de 150 peixes com esta finalidade. A prefeitura da cidade já tem um criadouro de peixes ornamentais para serem usados no combate à dengue.

 

ENTENDA: DENGUE TIPO 4

Entrevista com Maurício Lacerda Nogueira, professor do Laboratório de Pesquisas em Virologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).

 

Qual a diferença do vírus do tipo 4 para os demais?

Os dados mundiais mostram que quando ocorre epidemia de dengue 4, os casos graves são em menor número do que com os outros tipos (1,2 e 3). Os sintomas são os mesmos, porém, em geral, menos graves. Além disso, o dengue 4 não costuma causar grandes epidemias. Porém, quando digo "em geral", digo comparando com dados de outros países. Não dá para garantir que o DEN4 [nomenclatura do vírus] vai se comportar da mesma forma no Brasil.

 

O que é feito para se determinar o tipo de vírus em um caso de dengue?

Existem várias maneiras de identificar o vírus da dengue, mas basicamente nós fazemos o isolamento (multiplicação e identificação de um vírus), o PCR (reação em cadeia que amplifica um pedaço específico do material genético do vírus e permite sua identificação) e o sequenciamento (" soletra" o genoma do agente).

 

Há a necessidade de combinar essas técnicas ou elas são aplicadas separadamente?

Na atual situação, usamos todos os métodos. Mas o PCR e o sequenciamento são mais utilizados.

 

Quanto tempo leva cada método?

O isolamento viral, 28 dias. O sequenciamento, uma semana. E o PCR, que é mais sensível, entre de 24 a 48h.

 

Existe alguma dificuldade ou obstáculo para a realização da tipagem?

O que existe é uma falta de experiência nossa com esse vírus. Detectado o primeiro e passado o susto inicial, fica mais fácil.

 

Quanto custa um teste?

Um PCR custa entre 50 e 100 reais, dependendo de suas variações.

 

Quais os riscos reais de uma epidemia de dengue tipo 4?

Em 45 dias, saberemos se temos uma circulação sustentada na cidade de Rio Preto ou se foram casos isolados. Isso depende de verificarmos o que vai acontecer daqui para frente. Em relação à epidemia, já estamos numa fase do ano não favorável à doença [a maioria dos casos se concentra no verão]. Se tivermos uma epidemia por dengue 4, deverá ocorrer nos próximos anos.

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