Secretaria de Saúde do Amazonas adota plano contra a cólera

Município de Tabatinga, onde há mais de 600 refugiados haitianos, é a principal preocupação

Liege Albuquerque - O Estado de S. Paulo,

04 Fevereiro 2011 | 18h00

MANAUS - A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) vai adotar medidas de bloqueio para evitar a reintrodução da cólera no Amazonas, a partir do município de Tabatinga, onde há atualmente mais de 600 refugiados haitianos. O Haiti foi afetado por uma epidemia de cólera que, desde outubro do ano passado, já deixou mais de duas mil mortes e onze mil doentes.

 

O Amazonas viveu uma epidemia da doença em 1990 e os últimos casos foram registrados no Estado em 1998. Na segunda-feira, uma equipe da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) chega a Tabatinga, a 1.107 quilômetros de Manaus, para fazer um diagnóstico dos riscos de disseminação da bactéria que causa a doença.

A preocupação das autoridades de saúde do Amazonas é com as condições de higiene dos locais de refúgio dos haitianos. A maioria deles está instalada em moradias precárias e em locais com deficiência de saneamento básico.

Prevenção. Até agora, nenhum caso de cólera foi registrado entre pessoas que vieram do Haiti ou entre brasileiros que vivem na região de tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Peru), onde está localizado o município de Tabatinga. O secretário de Saúde, Wilson Alecrim, destaca que as medidas são em caráter preventivo.

Entre as ações de controle a serem executadas estão o monitoramento das doenças diarreicas agudas e o uso de hipoclorito de sódio na água consumida pelos moradores, além da realização de diagnóstico laboratorial para identificar a bactéria que transmite a doença. A cólera causa diarreia e pode levar a uma desidratação grave que, se não tratada, pode causar morte. O tratamento é feito principalmente com a reposição de líquido, por meio de soro, e com o uso de antibióticos.

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