ANDREZZA MARIOT/SESAU
ANDREZZA MARIOT/SESAU

Secretaria faz alerta a torcedores sobre vírus de sarampo na Rússia

Risco de contrair vírus na Europa se soma ao baixo índice de imunização dos brasileiros; RO, AM e RS tiveram casos recentes

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 22h32

BRASÍLIA - A Secretaria de Saúde de São Paulo editou um alerta em nível 3, o mais alto da escala, para o risco de casos de sarampo importados no País, sobretudo em virtude da Copa do Mundo. Num comunicado de três páginas, a secretaria observa que foram identificados na Rússia 1.149 casos da infecção, 42% deles em adultos, de janeiro a abril deste ano. A estimativa é de que pelo menos 65 mil torcedores brasileiros estejam acompanhando os jogos do campeonato. “É um alerta importante, sobretudo diante das baixas coberturas vacinais contra a doença”, afirma a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai.

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A médica observa ainda que o risco de torcedores não imunizados contraírem a doença na Rússia se soma a um panorama que, por si só, já é preocupante: a volta da circulação do vírus do sarampo no País. “É uma doença altamente contagiante. Daí a necessidade de se manter as taxas de cobertura vacinal altas, o que não ocorre atualmente”, completa Isabela.

O alerta da Secretaria de Saúde de São Paulo observa que desde o início do ano casos da doença já foram identificados em Roraima e Amazonas. Além disso, um surto no Rio Grande do Sul também foi identificado. Até o momento, são cinco casos confirmados. O primeiro paciente gaúcho  foi um estudante de 25 anos, com histórico de viagem recente ao Amazonas.

Todas essas condições preenchem os requisitos para a mudança no estado de atenção. O nível 3 de alerta é dado todas as vezes em que se identifica a persistência da transmissão do sarampo por mais de 90 dias em mais de um Estado do País. No comunicado da Secretaria de Saúde de São Paulo, a recomendação é de que profissionais de saúde fiquem atentos a qualquer caso suspeito de doença exantemática (com erupções ou manchas na pele). A orientação é de que casos suspeitos sejam notificados em 24 horas e que sejam investigados em 48 horas. 

A meta da pasta é ampliar a cobertura para 95% na faixa etária recomendada, além de imunizar pessoas suscetíveis. Entre as recomendações do comunicado está melhorar a vigilância e investigação, agilizar o diagnóstico, reforçar a vacinação de profissionais que atuem no setor de turismo, como funcionários de hospitais hotéis, restaurantes e companhias aéreas.

“Estamos preocupados”, afirmou o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, o infectologista Marcos Boulos. “Há um aumento da circulação do vírus. Isso ocorre num momento em que a cobertura vacinal não está boa. Ela caiu muito nos últimos dois anos”, constata. Ele observa ainda que, com a chegada do inverno, o risco para a doença aumenta. “Para isso, basta que o vírus esteja circulando e que haja pessoas sem proteção, sem vacinação.”

Isabela recomenda aos adultos que não sabem se já foram imunizados ou não tomem novamente a vacina. “Isso vale para pessoas até 60 anos”, disse. Passada essa faixa etária, a vacinação deve ser avaliada caso a caso. “Na população com mais de 60 anos, a probabilidade de que a pessoa já tenha tido contato com o vírus é grande.” A recomendação de Isabela é um pouco diferente da que é feita pelo Ministério da Saúde. A pasta oferece a vacina para pessoas até 50 anos que não tenham certeza se já foram imunizadas. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou.

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