Secretário de conselho vê ação eleitoreira no Mais Médicos

'Governo vira as costas às propostas estruturantes, que poderiam atacar de vez os problemas', diz

ANÁLISE: DESIRÉ CARLOS CALLEGARI, ESPECIAL PARA O ESTADO

17 Julho 2014 | 16h55

O Programa Mais Médicos chega ao fim de seu primeiro ano confirmando sua vocação de caráter eleitoreiro, feito sob encomenda para facilitar o caminho de alguns candidatos. Foi uma aposta midiática do governo que, após os protestos de junho de 2013, espertamente se apropriou do pleito legítimo da população por melhoria da assistência para oferecer um projeto que não dá respostas definitivas aos gargalos que afetam a Saúde.

Desde então, pouca coisa se viu, além da importação maciça de intercambistas cubanos, que não comprovaram habilidades em exames de revalidação de diplomas. Permanece a carência de recursos, a gestão pífia e a falta de infraestrutura, um contexto que torna o atendimento nos postos de saúde um exercício de fé para profissionais e pacientes, como têm denunciado o Conselho Federal de Medicina (CFM) e outras lideranças e ent idades do setor.

O quadro de abandono parece orquestrado para aumentar o descrédito da população no Sistema Único de Saúde (SUS), modelo que é referência internacional, mas que sofre consequências de longo apagão político. Apático, o governo vira as costas às propostas estruturantes, que poderiam atacar de vez os problemas. Assim, os anunciados avanços na economia ficam ao largo da área social.

Nada de verbas, de modernização, de políticas de recursos humanos eficientes. Por exemplo, a proposta de criação de carreira de Estado para médicos e outros profissionais da saúde no âmbito do SUS tem sido ignorada, retardando a fixação dessas categorias em municípios distante, como fizeram juízes e promotores, quando passaram a contar com este tipo de estímulo. Preocupa-nos o futuro. É preciso cobrar dos gestores as medidas que o País espera. A demora do Estado em responder aos anseios do povo tem brutalizado a Saúde, trazendo desmotivação aos que tentam seguir adiante sem condições de exercer uma medicina de qualidade e nem de estimular uma boa relação médico-paciente. O Brasil tem urgência de ser bem tratado!

1º SECRETÁRIO DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

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