Divulgação / Governo do Estado de SP
Divulgação / Governo do Estado de SP

Secretário diz que vacinação contra covid-19 pode começar nesta segunda em SP: 'Estamos prontos'

Jean Gorinchteyn avisa que o início da imunização no Estado só depende de tratativas com o governo federal

Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 13h14

SÃO PAULO - O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Carlo Gorinchteyn, afirmou ao Estadão neste sábado, 16, que a vacinação da covid-19 pode iniciar nesta segunda-feira, 18, mas depende das tratativas com o Ministério da Saúde sobre a quantidade de doses da Coronavac que ficarão no Estado. "Estamos prontos para começar a qualquer momento", declarou.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fará reunião neste domingo, 17, para decidir se autorizará ou não o uso emergencial da Coronavac e do imunizante desenvolvido pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, que será distribuído no Brasil pela Fiocruz.

De acordo com Gorinchteyn, o cronograma de imunização em São Paulo, assim como o número de pessoas que serão vacinadas, só poderá ser definido quando a Secretaria de Saúde souber quantas doses receberá da vacina produzida pelo Instituto Butantã em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. "A gente depende dessas tratativas. Precisamos definir com eles o que eles vão fazer", disse

Neste sábado, o secretário disse ao Estadão que espera ainda para este fim de semana um posicionamento do Ministério da Saúde sobre o assunto. O secretário, porém, negou que haja um impasse com o governo de Jair Bolsonaro. "Estamos nos posicionando como sempre fizemos. Não existe nenhum desconforto ou falta de cordialidade entre as partes", ressaltou.

O governo federal pediu ao Instituto Butantã nesta sexta-feira, 15, a entrega imediata das 6 milhões de doses da vacina que já estão prontas. O Butantã, então, questionou a Saúde sobre o número de doses do imunizante que será destinado a São Paulo. Em ofício, o governo respondeu que tem a responsabilidade pela elaboração, atualização e coordenação do Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a covid-19.

"O Butantã não distribui nada, o que existe é uma alocação dessas vacinas para o Ministério. Porém, proporcionalmente, o instituto retém aquilo que é para São Paulo. Sempre foi assim. Não é novidade", afirmou Gorinchteyn, que pediu "bom senso" nas tratativas.

De acordo com Gorinchteyn, não é "racional" enviar todas as doses da Coronavac para a Saúde. "Eu mando para a União. Ela desloca para outros lugares. Daí volta para São Paulo. Quer dizer, vamos pensar em análises de estratégias logísticas, de custos, e da demora frente à urgência pandêmica que se faz presente", reafirmou.

Na noite desta sexta-feira, 15, o diretor do Butantan, Dimas Covas, esteve no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, para discutir o assunto com o governador João Doria e o secretariado. De acordo com Gorinchteyn, o objetivo da reunião foi discutir a logística para a distribuição da vacina.

"Esperamos que haja racionalidade operacional sobre a Coronavac", declarou Gorinchteyn. "Isso vai fazer com que tenhamos agilidade e tenhamos a democracia instituída também na distribuição das vacinas, de forma rápida", acrescentou. Segundo o secretário, a resposta do governo federal é necessária para que o Estado estabeleça, na próxima semana, as normativas sobre a vacinação.

Mais restrições em São Paulo

Gorinchteyn também afirmou que anunciará nos próximos dias novas restrições para conter a pandemia no Estado. "Faremos restrições. Precisamos garantir a vida. Não podemos fazer de São Paulo o que temos visto no Amazonas", declarou, em referência à falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, o que ele classificou como "tragédia".

A decisão sobre as novas restrições, segundo o secretário, levará em conta a ocupação de leitos e o número de mortes por coronavírus, entre outros indicadores. "As regiões de São Paulo que estão na fase laranja, se não se comportarem, podem ir para a vermelha a qualquer momento", reforçou.

"Estamos com muita preocupação", declarou Gorinchteyn. "De março a agosto, cinco meses, nós chegamos no pico da primeira onda com um número de casos de covid que é exatamente igual ao que nós chegamos em 40 dias agora." O secretário também ressaltou a importância da vacinação: "Precisamos vacinar o mais rápido possível. Temos que proteger os profissionais da área da saúde, primeiro, e depois os idosos que podem desenvolver formas graves e fatais da covid".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.