Segunda etapa de vacinação contra pólio acontece neste sábado em todo o Brasil

Meta é atingir, novamente, 14,6 milhões de crianças menores de 5 anos; 115 mil postos vão participar

estadão.com.br

11 de agosto de 2010 | 17h18

SÃO PAULO - Neste sábado, 14, ocorrerá a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. Com o slogan "Não vai esquecer a segunda dose, hein?", o Ministério da Saúde reforça o alerta aos pais e responsáveis sobre a importância de levar as crianças menores de 5 anos aos postos de vacinação para tomar a segunda dose da imunização. Cerca de 115 mil postos participarão da mobilização em todo o País.

Nessa segunda etapa, a meta é atingir, novamente, 14,6 milhões de crianças menores de 5 anos, representando 95% do público-alvo (meta mínima exigida). Para isso, foram distribuídos 24 milhões de doses da vacina. No total, somando-se as duas etapas, foram distribuídos 48 milhões de doses. A primeira fase da campanha, realizada em 12 de junho, imunizou 14 milhões de crianças.

O investimento do Ministério da Saúde, nas duas fases da campanha, foi de R$ 40,9 milhões - sendo R$ 20,8 milhões para comprar vacinas e R$ 20,1 milhões em repasses para as secretarias estaduais e municipais da Saúde (parceiros do ministério na campanha).

Para informações sobre locais de vacinação e horários de funcionamento dos postos, os pais devem procurar a Secretaria de Saúde do seu município. "É a imunização que garante a não-circulação do vírus selvagem da poliomielite no País. Por isso, é tão importante vacinar as crianças nas duas etapas da campanha", explica a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do ministério, Carmem Osterno.

Brasil sem pólio

A estratégia adotada pelo País de realizar campanhas nacionais anuais, divididas em duas etapas, com intervalo de 2 meses entre as doses, contribuiu para eliminar o vírus da poliomielite. Desde 1989, não são registrados casos da doença em território nacional. Em 1994, o Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde (OMS) a certificação internacional de erradicação da transmissão da pólio.

Segundo Carmem, apesar de o Brasil não registrar casos há mais de 20 anos, a doença ainda é comum em outras regiões do mundo. A imunização previne contra os riscos de importação do vírus proveniente de países que ainda registram a pólio, principalmente os que têm relações comerciais ou registram um fluxo migratório com o Brasil, como é o caso de nações africanas e asiáticas.

De acordo com a OMS, 26 países ainda registram casos de poliomielite. Destes, quatro são endêmicos, ou seja, têm transmissão constante: Afeganistão, Índia, Nigéria e Paquistão. Outros 22 países têm registro de casos importados: Tajiquistão, Angola, Chade, Sudão, Uganda, Quênia, Benin, Togo, Burkina Faso, Níger, Mali, Libéria, Serra Leoa, Mauritânia, Senegal, República Centro Africana, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Nepal, Guiné, Camarões e Burundi.

Sobre a vacina

Oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra a paralisia infantil é administrada via oral, em gotas, e está disponível durante todo o ano nos postos de saúde para imunização de rotina. Pelo calendário básico, os bebês devem receber a dose aos 2, 4 e 6 meses. Aos 15 meses, as crianças recebem o primeiro reforço. Porém, é importante que todos os menores de 5 anos (de 0 a 4 anos, 11 meses e 29 dias) tomem as duas doses da vacina durante a Campanha Nacional, mesmo que já tenham sido vacinadas anteriormente.

A vacina não apresenta contra-indicações. Porém, recomenda-se que as crianças que estejam com febre acima de 38ºC ou com alguma infecção sejam avaliadas por um médico antes de receber as gotinhas. A dose também não é recomendada para quem tem problemas de imunodepressão (como pacientes de câncer e aids ou de outras doenças que afetem o sistema imunológico).

A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa grave. Na maioria das vezes, a criança não morre quando infectada, mas adquire sérias lesões que atingem o sistema nervoso, provocando paralisia, principalmente nos membros inferiores. A doença é causada e transmitida por um vírus (poliovírus) e a contaminação se dá principalmente por via oral.

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