Segundo ministro, Lula ficou 'iradíssimo' com posição do Brasil no ranking do IDH

Ex-presidente fez críticas à metodologia empregada

Lisandra Paraguassu e Tânia Monteiro,

03 de novembro de 2011 | 22h00

BRASÍLIA - O resultado do relatório Índice de Desenvolvimento Humano 2011, que colocou o País na 84ª colocação entre 187 países, provocou uma rápida e irada reação do governo brasileiro, incitada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Se em Cannes, onde participa da reunião do G20, a presidente Dilma Rousseff não tocou no tema, em São Paulo seu antecessor ligou prontamente para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, seu amigo e ex-chefe de gabinete. Lula, contou o ministro, ficou "iradíssimo", considerou injusto o resultado e cobrou que o governo reagisse aos números.

Logo depois do telefonema, o próprio Carvalho falou sobre o assunto. No meio da tarde, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, chamou uma entrevista de emergência.

A ministra negou que a reação tivesse algo a ver com a reação do ex-presidente. "O presidente Lula reclamou muito no ano passado, mas não esse ano", disse. "Fizemos uma reunião entre os ministros apenas hoje e decidimos dar a posição do governo. Nós só recebemos o relatório há dois dias". As restrições apresentadas pela ministra ao IDH, no entanto, foram as mesmas ressaltadas por Lula na conversa com Carvalho.

Tereza esclareceu que, no Índice de Pobreza Multidimensional o relatório usa números de 2006, o que impede o registro de avanços significativos do País nos últimos cinco anos.

"É justamente depois de 2006 que o Brasil avançou significativamente nas questões da pobreza multidimensional. A partir de 2007 se incorpora uma parcela grande de pessoas no Bolsa Família, há a valorização do salário mínimo, da agricultura familiar, uma ampliação significativa do programa Luz para Todos. Se conseguirmos incorporar os números mais recentes no próximo relatório, certamente teremos um salto muito grande", disse a ministra.

A ministra, assim como Gilberto Carvalho, fizeram questão de ressaltar os pontos positivos do relatório. "Nossa avaliação é que o relatório reflete o enorme esforço que o Brasil tem feito no avanço das políticas sociais nos últimos anos", disse Tereza. Carvalho afirmou que o governo não quer polêmica com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), responsável pelo IDH.

O ministro queixou-se que "os números das instituições brasileiras não foram utilizados", mas ressalvou que entende que é preciso ter respeito e cautela nesta questão e que "tem uma questão de metodologia do PNUD". Mas defendeu que "vale a pena uma discussão em torno da metodologia que é usada".

"Nós temos consciência de que nossos indicadores sociais cresceram e seguem crescendo. Mas nos não queremos entrar em uma polêmica sobre isso", disse.

Já o MDS explica que o governo ainda não sabe exatamente como é calculado o Índice de Pobreza Multidimensional, criado em 2010. No ano passado, o IPM já criou confusão e muita reclamação no governo brasileiro. No início deste ano, houve outro pedido para que o PNUD atualizasse os números, o que não foi feito.

 

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