Seguradoras priorizam os planos empresariais

As empresas de planos privados estão investindo cada vez mais em contratos empresariais. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), até junho deste ano o total era de 21,8 milhões. Em 2004, eram 17,7 milhões - os números referem-se aos contratos feitos depois de 1999, quando as operadoras passaram a ser reguladas pela ANS, que é ligada ao governo federal. A Bradesco Saúde, por exemplo, deixou de aceitar novos planos individuais há um ano, assim como a SulAmérica. Há alguns meses, surgiram boatos de venda das carteiras de clientes antigos, mas as duas empresas negam categoricamente. ?Os planos coletivos são muito mais interessantes comercialmente para as empresas?, afirma Carlos Suslik, coordenador do curso MBA Saúde do Hospital Albert Einstein e do Ibmec São Paulo. ?A maior vantagem é o fato de o reajuste não ser determinado pela ANS (pelo governo). E não tem operadora que afirme que os reajustes da ANS são adequados aos gastos.? Os reajustes dos planos coletivos são feitos, na maioria das vezes, diretamente entre o consumidor e a própria operadora. ?Não só os acordos de preço, mas a cobertura médica e hospitalar podem ser negociadas anualmente?, explica o advogado Fernando Bianchi, da Toro e Advogados Associados, especializado em Direito de Saúde Suplementar. A Toro tem 20 operadoras como clientes. ?Cerca de 90% das reclamações são contra os usuários de planos individuais, que pedem a inclusão de tratamentos de alta complexidade não previstos no contrato?, diz Bianchi. Mesmo com o crescimento dos planos empresariais, a Amil, assim como a Medial, seguem na contramão, investindo nos dois tipos de cliente. Uma das justificativas é porque não são seguradoras, como a Porto Seguro e, portanto, não trabalham só com reembolso, mas com rede credenciada e seus próprios hospitais (categoria medicina de grupo). ?A seguradora transfere a escolha do prestador para o cliente. Isso custa caro para a empresa?, diz Jorge Kropf, diretor da Amil. Os 42 mil contratos individuais recém-comprados pela Amil da Porto Seguro são de uma seguradora. E, portanto, de clientes habituados a ter reembolso. ?Não vamos alterar absolutamente nada. Os que têm livre escolha, continuarão assim?, afirma Kropf. Para o consumidor, tanto os planos individuais como os coletivos têm vantagens ou não. ?Na maioria das vezes, os empresariais são mais baratos, mas com reajustes maiores?, diz Suslik. ?O que os consumidores de planos empresariais devem preferir são contratos com número grande de pessoas. A sinistralidade (relação entre as indenizações pagas ao segurado e as mensalidades pagas por ele) é muito maior quando o grupo é pequeno.?

Agencia Estado,

08 de novembro de 2006 | 10h52

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