Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Seis em cada dez brasileiros estão acima do peso, diz IBGE

Dados divulgados nesta sexta mostram ainda 32% das crianças brasileiras com menos de 2 anos já beberam refrigerante 

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2015 | 10h00

Atualizada às 20h35

RIO - Seis de cada dez brasileiros estão acima do peso, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2013, realizada em parceria com o Ministério da Saúde, e divulgada nesta sexta-feira, 21, pelo IBGE. Entre os homens, o índice passou de 42,4% para 57,3% de 2002 a 2013. No caso das mulheres, aumentou de 42,1% para 59,8%.

As informações foram obtidas a partir de uma comparação entre as Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) realizadas pelo IBGE nos períodos 2002/2003 e 2008/2009 com a PNS 2013. Os dados mostram ainda que a obesidade passou de 9,3% para 17,5% entre os homens, e de 14% para 25,2%, entre as mulheres.

Há três meses, o assistente financeiro Fabio Selek, de 24 anos, está tentando emagrecer. No período, ele já perdeu 7,2 quilos e atingiu os 112,9 quilos. A obesidade chegou por volta de 2010, quando ele ficou desempregado e começou a fazer bicos.

"Eu comia besteira. Comia em grandes quantidades, minha autoestima estava baixa, mas meu irmão fez cirurgia de redução de estômago recentemente e me dei conta que logo mais iria precisar fazer uma cirurgia. Isso é pior do que fazer uma dieta", conta.

Selek, que tem 1,76 metro de altura, está fazendo um trabalho de reeducação alimentar por meio do Vigilantes do Peso. "Não faço uma dieta de moda, é uma reeducação alimentar. Agora, estou aprendendo a comer. Não como tanto na rua, estou levando comida para o trabalho. Estou comendo de três em três horas e ando bastante de bicicleta." A meta do assistente financeiro é pesar entre 80 e 90 quilos, peso que tinha antes de começar a engordar. 

A pesquisa também mostra que seis em cada dez crianças brasileiras com menos de 2 anos já comeram biscoito, bolacha ou bolo, e 32% já beberam refrigerante ou suco industrializado. Esses alimentos só devem ser consumidos depois dessa idade e com moderação, segundo orientam nutricionistas e pediatras.

Os pesquisadores percorreram 62.658 domicílios de todo o País em 2013, e aplicaram questionários sobre deficiências, saúde dos idosos, das mulheres e das crianças com até 2 anos. 

Clique no gráfico abaixo para ampliá-lo: 

Outro dado levantado é sobre o aleitamento materno: apenas 49,4% dos bebês ainda eram amamentados pelas mães entre 9 e 12 meses, quando o recomendado pelo Ministério da Saúde é que a amamentação vá até os 2 anos, pelo menos. O leite materno, entre outros benefícios, protege as crianças de síndromes metabólicas.

Ainda sobre crianças, o IBGE levantou que 24,1% dos bebês com 1 ano não haviam tomado as doses da vacina tetravalente, que evita difteria, tétano, coqueluche e meningite. Verificou também que os exames neonatais precisam ter cobertura maior: 29,2% dos recém-nascidos não fizeram o teste do pezinho na primeira semana de vida (o teste identifica precocemente doenças metabólicas, genéticas ou infecciosas), 44% não fizeram o da orelhinha no primeiro mês (para detecção de surdez congênita) e 48,9% não fizeram o do olhinho no primeiro mês (para constatação de alterações oculares). /COLABOROU PAULA FELIX

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