SANDRO PRADO
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Seis paradas depois, enfermeira está à espera de um coração

Com miocardiopatia, Fabiana sobrevive ligada a um aparelho, mas no limite da utilização

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

11 Março 2017 | 03h00

Há 45 dias, o coração de Fabiana Ebani, de 34 anos, bate fora do peito. Depois de seis paradas cardíacas, ela foi ligada a um órgão artificial que bombeia o sangue em seu organismo. 

Enfermeira, casada e mãe de um menino de 8 anos, Fabiana teve uma infecção de garganta e sinusite fortes um ano atrás. Pouco depois, passou a sentir falta de ar. Chegou a pensar que sofria de um problema digestivo. Logo, o fôlego não chegava para que realizasse tarefas simples, como brincar com o filho, Kauê, escovar dentes ou tomar banho.

Foi então que recebeu o diagnóstico de miocardiopatia dilatada, doença em que o coração passa a ter dificuldade de bombear o sangue, por causa da ampliação do ventrículo esquerdo. A cardiologista Jaqueline Miranda, gerente médica da unidade cardiointensiva do Hospital CopaStar, onde Fabiane está internada há cinco meses, explica que a doença costuma ocorrer após enfarte e pode ter origem genética, mas também pode surgir depois de uma infecção viral.

Saudável e ativa, do tipo que frequenta academia e tem foto de voo de parapente em seu perfil na rede social, ela nunca teve nenhum problema cardíaco. “De repente, não aguentava dar dois passos em casa sem ajuda”, conta Fabiana. No fim do ano passado, acabou internada.

No hospital, Fabiana se recuperou de uma pneumonia e foi operada para tratar uma trombose que quase a fez perder a perna esquerda. Em 24 de janeiro, sofreu seis paradas cardíacas consecutivas. “Agradeço a Deus pelas seis oportunidades de voltar. Acho que Ele quis que eu tivesse mais uma chance.”

“O coração de uma pessoa de 70 quilos bombeia 4 litros de sangue por minuto. O de Fabiana bombeava 800 ml”, disse Jaqueline. Depois, o ventrículo esquerdo parou de funcionar. Foi preciso então fazer uma cirurgia de emergência para ligá-la a um equipamento que bombeia o sangue.

“Há muito pouco tempo, não teríamos como manter essa paciente viva. O equipamento funciona com a mesma tecnologia do trem-bala, por levitação magnética. Sem atrito, não há aquecimento do sangue. Se o sangue aquece, há quebra de hemácias e plaquetas e o paciente pode ter uma hemorragia”, afirma a médica.

Hoje, Fabiana é a única no Brasil ligada ao equipamento. O fabricante prevê que o paciente permaneça um mês no coração artificial - para evitar infecção. “Estamos pela conta do chá, chegando ao limite”, afirma Jaqueline. 

Luta. Enquanto espera, Fabiana se angustia com a distância do filho. O menino, que está em Macaé, no Norte Fluminense, com as tias, vê a mãe aos fins de semana e, para matar a saudade, telefona várias vezes por dia.

A enfermeira começou a fazer terapia na semana passada, por causa de crises de ansiedade. “Minha luta é pelo meu filho. Não é a gente que escolhe, mas quero continuar do lado dele”, diz, emocionada. 

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