Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Correndo para cumprir regras preventivas, concessionárias e lojas reabrem em SP nesta 6ª feira

Setor está incluído na primeira fase do plano de flexibilização da quarentena em São Paulo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 13h49

SÃO PAULO - Presentes na primeira fase do plano de flexibilização da quarentena em São Paulo, as concessionárias de veículos reabriram as lojas na capital na manhã desta sexta-feira, mas nem todas cumpriram todas as regras preventivas da prefeitura para conter a disseminação do novo coronavírus. O uso inadequado de máscaras entre os funcionários foi o principal problema, principalmente nas concessionárias e lojas independentes de pequeno e médio porte, que ainda estão se adaptando às novas normas preventivas. 

O uso obrigatório de máscaras de proteção respiratória para colaboradores e clientes, determinação para reabertura das concessionárias, não foi observada em todos os estabelecimentos. Enquanto os colaboradores da área de atendimento ao cliente de uma concessionária Citroen, na zona norte de São Paulo, usavam o EPI corretamente, profissionais da área de técnica e de manutenção usavam a máscara pendurada em uma das orelhas, cobrindo parcialmente o rosto.

Boa parte das lojas retardou o horário de abertura para atender todas as normas. Isso aconteceu na concessionária Sorana, localizada na avenida Braz Leme, na Casa Verde, zona norte de São Paulo, que adiou a abertura da loja das 10h para 13h.

Para se adaptar às novas determinações da prefeitura, que exige apenas limitação do atendimento, a equipe de vendas no trabalho presencial foi reduzida de 30 para sete pessoas. A entrada de clientes da loja de grande porte, que possui 250 veículos novos e 120 usados das marcas Volkswagem e Audi, foi reduzida a sete postos de atendimento. Faixas amarelas no chão demarcavam a distância as mesas, que acabou sendo superior ao 1,5 m exigido pela prefeitura. Os funcionários usavam máscaras e também viseiras (face shield). A concessionária ofereceu até máscaras para os clientes que chegaram sem o equipamento de proteção individual. 

Marcio Chadi, gerente da concessionária Fiat na Avenida Sumaré, zona oeste de São Paulo, também usou a manhã desta sexta-feira para fazer os últimos ajustes da reabertura prevista para 13h. Um dos últimos acertos foi a utilização do termômetro digital. “Estamos bem adiantados na adoção das novas medidas. A reabertura da loja vai sinalizar otimismo para a retomada da economia”, opina o gestor.  

A liberação das concessionárias faz parte do plano de reabertura econômica conduzido pelo governo estadual. Por esse planejamento, a capital paulista foi enquadrada na fase 2 (laranja) de flexibilização no qual é permitida a abertura de alguns setores da economia. De acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o estado de São Paulo possui hoje 1750 concessionárias. Só na cidade de São Paulo são 377 lojas que geram 22,6 mil empregos. 

Uma determinação foi seguida pelos profissionais de todos os endereços visitados pelo Estadão. Ao receber clientes, os funcionários evitaram o aperto de mãos, abraços ou beijos. Os gestos foram substituídos por acenos à distância e cumprimentos verbais.

Lojas de automóveis

As lojas independentes de venda de veículos acompanham um protocolo diferente das concessionárias. No caso dos lojistas, os problemas foram mais frequentes no primeiro dia de funcionamento. Uma das determinações exige o uso de películas protetoras nos bancos dos veículos ou higienização a cada uso, assim como vidros e maçanetas. A medida serve para minimizar a disseminação do vírus, pois diariamente centenas de pessoas entram nos veículos para conferir o painel, por exemplo. Invariavelmente, tocam no volante e no câmbio, o que aumenta o risco de contágio.

Na loja de vendas de automóveis KFK, localizada na avenida Engenheiro Caetano Álvares, no bairro do Imirim, zona norte de São Paulo, foi possível entrar em dois veículos em exposição, um Corsa e um Celta, manusear livremente o interior dos carros, sem orientação dos funcionários quanto ao uso de álcool em gel. A mesma cena se repetiu na zona leste, na Dancar Multimarcas, localizada na avenida Alcântara Machado. Um cliente avaliou o interior de um Polo branco, de câmbio automático, sem as medidas de higienização. Em nenhuma das duas concessionárias, foi feita a medição de temperatura corporal do cliente por meio de termômetro digital, outra exigência municipal. 

Ritmo lento

O ritmo de reabertura foi lento do ponto de vista financeiro. Como as regras da prefeitura determinam o funcionamento por apenas quatro horas, entre 10h e 17h, fora do horário de pico, muitas lojas decidiram adiar a abertura para a hora do almoço na expectativa de maior movimento. Na maioria delas, as primeiras horas foram dedicadas à avaliação dos veículos, que ficaram quase 80 dias sem funcionamento, limpeza e reorganização dos espaços. Ainda no início da tarde, inúmeras lojas na zona leste continuavam com as portas fechadas. Foi o caso de concessionárias da Suzuki e da Chevrolet ao longo da avenida Alcântara Machado. Houve apenas expediente interno. 

Nesse contexto de retomada, o movimento observado na concessionária Sorana, na zona norte, foi uma exceção. Desde a abertura às 13h, a loja recebeu 14 pessoas, um número considerado alto para uma sexta-feira, na visão dos funcionários. "Não realizamos nenhuma venda efetiva entre as pessoas que visitaram a loja, mas foi um número interessante. Essa retomada foi positiva. No Brasil, ainda pesa bastante o aspecto cultural de olhar o carro, sentir, pegar. É difícil vender sem ter o contato", diz Orlando Chodin Neto, gerente comercial. 

A retomada era aguardada com grande expectativa pelo setor. De acordo com a Fenabrave, houve uma queda de 35,64% nas vendas de veículos de janeiro a maio de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. O balanço do primeiro dia de reabertura será finalizado na segunda-feira. Embora os profissionais do setor já programem a retomada, algumas concessionárias não devem sobreviver à retração provocada pela pandemia. "No final do primeiro semestre, teremos números precisos sobre o impacto da quarentena. Algumas concessionárias vão ficar para trás. Haverá fechamento de uma ou outra empresa e algumas demissões, lamentavelmente. Mas estamos otimistas com essa retomada", diz Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave. 

Outro lado

Por meio de nota, a Citroën informou que vai reforçar o uso correto de máscaras em todos os setores.  "Para garantir a saúde, mobilidade e segurança de colaboradores e consumidores, a Citroën do Brasil estabeleceu protocolos de segurança e adoção de medidas sanitárias em toda a sua rede de concessionárias. Iremos, mais uma vez, reforçar sobre a importância do uso correto da máscara em todos os setores, bem como assegurar que os demais protocolos estão sendo adotados pela rede de concessionárias", informou a rede de concessionárias. 

A KFK informou que "a empresa conta com 8 dispensers de álcool em gel que estão espalhados nas entradas, banheiro, corredor dos escritórios e acesso entre os prédios. Todos nossos funcionários estão utilizando os EPIs conforme legislação". 

Alarico Assumpção Jr. afirma que a queda de receita das concessionárias durante a quarentena e a falta de previsibilidade podem ter acarretado problemas pontuais na reabertura nesta sexta-feira. 

"As casas ficaram fechadas por mais de 60 dias. Isso acarretou um problema de falta de liquidez, pois não houve receita. Também precisamos considerar a falta de previsibilidade. Como foram acertados ontem a entrega e aprovação do protocolo, muitos não estavam preparados para a aprovação a partir de hoje. Todas que abriram já estão atendendo a esse protocolo e as demais estão providenciando, caso contrário não poderiam estar abertas. Vamos cumprir todos os itens dos protocolos com responsabilidade", diz o presidente. 

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