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Governo do Estado de São Paulo/Divulgação
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Sem IFA, vacinação contra covid pode ser afetada a partir de junho, diz Dimas Covas

Liberação de insumo para imunizante contra o coronavírus do Instituto Butantan ainda não foi realizada pelo governo da China; vacinação de grupos anunciados em São Paulo não será impactada

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

10 de maio de 2021 | 10h39
Atualizado 10 de maio de 2021 | 20h36

SÃO PAULO - A indefinição para o governo da China liberar a exportação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para a produção da Coronavac, pode afetar o cronograma de vacinação contra a covid-19 a partir de junho, afirmou nesta segunda-feira, 10, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. Há a expectativa de que o insumo seja liberado até próxima quinta-feira e, assim, chegaria até o dia 18, mas o envio ainda não foi confirmado. O anúncio foi feito durante a entrega de 2 milhões de doses da vacina para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

 "Para maio, temos a entrega desta semana, 2 milhões no dia de hoje, mais 1 milhão na quarta-feira e 1 milhão e 100 na sexta. E, a partir daí, não teremos mais vacinas, porque não recebemos o IFA. Então, aguardamos a chegada desse material para que isso possa ser processado. Situação parecida com essa também é enfrentada pela Fiocruz, que a informação que eu tenho é que não teve o seu IFA liberado. Preocupa muito, porque o cronograma de vacinação, não neste momento, mas a partir de junho, poderá sofrer algum impacto."

Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que tem IFA para produção da vacina até o início de junho, mas "aguarda informações da AstraZeneca para confirmar a data de chegada da próxima remessa de IFA".

"A Fundação ultrapassou, na última sexta, a marca de 30 milhões de doses disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), sendo 26 milhões produzidas na Fiocruz com o IFA importado e 4 milhões importadas prontas da Índia", disse.

Segundo Covas, a liberação aguardada é de 4 mil litros do insumo. O diretor do instituto e o governador João Doria (PSDB) voltaram a atribuir a dificuldade para o IFA ser liberado à postura do presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal, que fizeram declarações ofensivas contra a China.

" O mesmo laboratório, Sinovac, disponibiliza insumos para um país vizinho, o Chile, que não agride a China, que não tem o seu presidente falando mal do governo chinês, do povo chinês e de sua vacina. O fluxo é normal de entrega desses insumos para o Chile. Por que não é para o Brasil? Razões de ordem diplomática e as formas desastrosas de manifestação em relação ao governo da China", disse Doria.

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A imunização dos grupos que já foram anunciados não deve ser afetada pelo problema, de acordo com Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI).

"Nós estamos recebendo 450 mil doses no Estado de São Paulo hoje, há uma previsão de chegada de Pfizer e Astrazeneca. O Estado de São Paulo não irá paralisar as suas vacinações. Tudo aquilo que foi anunciado e que será anunciado na quarta-feira, temos condições e vamos fazer a vacinação para todos os paulistas."

Em relação à vacina do Butantan, a Butanvac, Covas disse que o instituto respondeu, na última quinta-feira, 40 questionamentos enviados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre produção e qualidade e que ainda há uma pendência de uma mudança que deve ser feita no estudo clínico. Pendências estão sendo resolvidas também para início dos testes clínicos com o soro anticovid desenvolvido pelo instituto. "Esperamos que esta semana seja decisiva em relação aos dois processos."

O Itamaraty disse, em nota, que "Brasil e China dialogam e trabalham constantemente no enfrentamento da crise sanitária". A Embaixada do Brasil em Pequim, prossegue a nota, acompanha permanentemente o processo de autorização de exportação de IFAs, atuando sempre com a agilidade necessária. "Em diversas ocasiões, inclusive durante recente conversa telefônica do Ministro das Relações Exteriores, Carlos França, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, autoridades chinesas comprometeram-se em fazer todo o possível para cooperar com o Brasil neste momento de grave emergência sanitária causada pela pandemia e reiteraram que eventuais atrasos não são intencionais, dado que a China está exportando IFAs para diversos países, o que gera expressiva demanda e sobrecarga nos trâmites burocráticos", disse. 

Procurada, a Embaixada da China no Brasil ainda não se manifestou. 

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