Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Sem respirador ou médico, só 46,8% dos leitos para covid-19 funcionam no Recife

Considerado o epicentro da pandemia em Pernambuco, cidade registrou 2.958 dos 5.741 casos graves confirmados do novo coronavírus

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 12h00

RECIFE - Por falta de respiradores e em meio à contratação de equipes médicas, mais da metade dos 1.054 novos leitos municipais contra o novo coronavírus no Recife continua fechada e, portanto, sem poder receber pacientes. Segundo a prefeitura, a expectativa é de atingir 100% da operação até o início de junho.

Considerado o epicentro da pandemia em Pernambuco, o Recife registrou 2.958 dos 5.741 casos graves confirmados da covid-19. Em resposta ao avanço da doença, o prefeito Geraldo Júlio (PSB) anunciou, nos últimos dois meses, a construção de 313 novos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e outros 741 de enfermaria. No período, foram inaugurados sete hospitais de campanha na cidade -- o último nesta terça-feira, 5.

Dados da Secretaria de Saúde do Recife (Sesau), no entanto, apontam que só 46,8% dos leitos construídos estão, de fato, em operação e podem receber pacientes da covid-19. Entre as unidades de enfermaria, há 380 em funcionamento, o que representa 51,3% do grupo. Já para UTIs, responsáveis por receber os casos mais agudos e instáveis da doença, o índice é menor: 114 unidades (36,4%). Na prática, significa que para cada três novos leitos de terapia intensiva construídos dois continuam fechados.  

Em nota, a prefeitura diz que todas as estruturas físicas estão prontas para funcionar. "Os leitos dos hospitais de campanha são abertos gradativamente, à medida que chegam mais respiradores e à medida que chegam mais profissionais", afirma. "Em menos de dois meses, a prefeitura do Recife já contratou mais de 2,8 mil profissionais como reforço para enfrentamento à pandemia e continua contratando."

O hospital provisório mais recente, aberto no bairro da Imbiribeira, na zona sul do Recife, tem previsão de 107 novos leitos, segundo o município. No ato da inauguração, entretanto, apenas 40 funcionavam: 20 de UTI e 20 de enfermaria.

Segundo  a gestão Geraldo Júlio, havia 274 pessoas internadas em leitos municipais na segunda-feira, 4-- o que indica uma taxa de ocupação de 60% na rede, se forem desconsiderados os 40 leitos abertos depois. Já em relação às UTIs esse índice era de 77,6%.

Para enfrentar a pandemia, a prefeitura diz ter adquirido "mais de 300 respiradores", mas que enfrenta dificuldade para recebê-los e que só dispõe, hoje, de 122 ventiladores mecânicos. Eles estão distribuídos entre UTIs e salas vermelhas, onde pacientes são estabilizadas antes da transferência para terapias intensivas.

Segundo o município, o descumprimento das entregas tem motivado ações judiciais -- no início a semana, afirma, o Recife obteve decisão liminar para receber 36 respiradores adquiridos a uma empresa, com sede em Maceió, em março. "A empresa fornecedora pediu revisão de preços, alegando reequilíbrio econômico financeiro do contrato", diz. Em caso de descumprimento, a Justiça teria sido fixada multa de R$ 100 mil diários e os respiradores também poderiam ser apreendidos, afirma a prefeitura.

Com a escalada diária de casos e sobrecarga no sistema público do Estado, o governo de Pernambuco já estuda aplicar lockdown (bloqueio completo) nas cidades. Em entrevista coletiva realizada na segunda, o secretário municipal da Saúde, Jailson Correia, afirmou que a prefeitura do Recife também tem participado das discussões sobre o tema.

Segundo o governo Paulo Câmara (PSB), a rede pública de Pernambuco teria, ao todo, 888 leitos para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que incluem casos suspeitos e confirmados da covid-19. A taxa atual de ocupação total é de 93%. Para UTIs, o índice chega a 99%.

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