Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Semana mundial da amamentação foca no acolhimento às mães; confira as dicas

Apoio de familiares e de profissionais da saúde ajuda a amenizar os receios das mulheres nessa fase tão importante da maternidade; entre os dias 1º e 7, mais de 170 países realizam ações sobre o aleitamento materno

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2019 | 12h20

SÃO PAULO - Amamentar é um gesto de amor, que depende do envolvimento da mãe, da criança e do apoio de familiares e profissionais da saúde. Traz benefícios ao bebê e também à mãe. Mas os desafios para o sucesso na amamentação ainda são muitos, e não apenas no Brasil. Para enfrentá-los, a Semana Mundial de Aleitamento Materno mobilizará desta quinta-feira, 1.º até o dia 7, 170 países com o tema "Capacite os pais e permita a amamentação, agora e no futuro!”. 

O tema será abordado ao longo de todo o mês, quando ocorre a campanha Agosto Dourado, dedicada ao incentivo ao aleitamento materno. 

Veja nesse guia que preparamos para você:

Amamentação

"A amamentação tem de passar a ser vista como um trabalho em equipe, não como uma tarefa que cabe exclusivamente à mulher. O suporte da família e de amigos é essencial tanto no lado afetivo, quanto na logística para facilitar e encorajar nesse momento importante. A orientação de profissionais da saúde também ajudará a esclarecer muitas dúvidas", afirma Valdmário Rodrigues Júnior, obstetra e especialista em amamentação da Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande (MS).  

O Ministério da Saúde aconselha que a criança seja amamentada a hora que quiser e quantas vezes desejar. É o que se chama de amamentação em livre demanda. Em geral, o bebê em aleitamento exclusivo mama de oito a doze vezes por dia, o que não deve ser interpretado pelas mães como sinal de fome, leite fraco ou pouco leite, que pode resultar na introdução precoce de fórmulas.

Também não recomenda o uso de mamadeiras e chupetas, que devem ser evitadas, pois interferem na amamentação. Água e chás, indicados no passado, também não precisam ser oferecidos ao bebê, pois há evidências de que o consumo provoca o desmame precoce.

" Alguns especialistas ainda indicam a amamentação em três em três horas, mas a orientação ideal e do próprio ministério é que o leite materno seja oferecido em livre demanda, respeitando o ritmo do bebê e até que ele fique totalmente satisfeito", reforça o obstetra.

Principais dúvidas

Será que eu vou conseguir? Será que vai doer? Há risco de sufocar o bebê? Ele está chorando de fome? Será que meu leite é fraco? Esses são alguns dos questionamentos feitos pelas mães ouvidas pelo Estado


Grávida de 32 semanas da Maria Clara, a dona de casa Simone Felício Franco, de 33 anos, já passou por dois obstetras. Ela optou pela troca por causa da distância dos consultórios, mas reforça que recebeu recomendações diferentes e continua com dúvidas.

"O primeiro me orientou a pegar uma bucha velha e passar no bico do seio para esfoliar um pouco. Mas o segundo disse que não era para fazer absolutamente nada. Tenho receio de sentir dor. É um ato de amor e sei da importância, mas pode sangrar", afirma Simone. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha a amamentação exclusiva até seis meses e complementar até 2 anos. Rico em anticorpos e proteínas, o leite materno é composto por água e nutrientes em quantidades necessárias para o desenvolvimento saudável da criança.

"O leite materno ajuda na redução da mortalidade infantil, evita doenças e é ideal para saciar a fome e a sede do bebê. A introdução de outros alimentos começa a partir dos seis meses, de forma lenta de gradual, e o aleitamento deve ser mantido até 2 anos ou mais", diz Maria Cecília Hyppolito, pediatra e neonatologista do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo.

Para estimular a produção de leite, a pediatra orienta que seja oferecido o peito ao bebê logo após o nascimento. "O colostro, primeiro leite produzido pela mãe, é rico em proteínas. E quanto mais o bebê mamar, mais leite a mãe vai produzir. E o bebê deve mamar por um período prolongado, mesmo dormindo, até largar sozinho o peito." 

Ainda de acordo com Maria Cecília, a condição emocional da mãe afeta a produção de leite. "Há casos em que a mãe entra em depressão por não saber o que fazer e isso interfere na produção de leite, é hormonal. É preciso entender que algumas circunstâncias de saúde influenciam na amamentação e todas as mães precisam ser respeitadas. Além disso, a mulher precisa estar disposta e querer amamentar, principalmente diante das inseguranças e das noites em claro nas primeiras semanas."

Alimentação saudável durante a amamentação 

Os hábitos saudáveis mantidos durante a gestação devem permanecer durante o período de amamentação. Segundo Adriana Figueiredo, nutricionista da clínica médica do Hospital Independência, os cuidados com a saúde ajudam a mãe a ter sucesso na amamentação e trazem benefícios ao bebê. 

"Apesar da correria, é importante que quem amamenta faça seis refeições ao longo do dia. A mãe deve beber muita água e comer muitas frutas, verduras e legumes. É importante evitar café, frituras e alimentos embutidos. Também não deve tomar medicamentos sem orientação médica, para não interferir na qualidade do leite", afirmou a nutricionista. Ela aconselha ainda a mãe a evitar o uso de cremes e perfumes com cheiro, que possam prejudicar a amamentação. 

Benefícios do leite materno ao bebê e à mãe

  • Previne a mortalidade infantil e doenças infecciosas 
  • Ajuda no desenvolvimento do sistema imunológico do recém-nascido 
  • Reduz a probabilidade do bebê se tornar uma criança obesa
  • É um ótimo exercício para o desenvolvimento da face da criança, para o crescimento de dentes fortes e para o desenvolvimento da fala
  • A amamentação previne câncer de mama e de ovários nas mães
  • Ajuda o útero da mãe a recuperar seu tamanho normal após o parto
  • Traz benefícios ao corpo e ao humor

Preparo para a amamentação 

Ao longo da gravidez, muitas mulheres têm como foco os preparativos para a adaptação da casa para a chegada do bebê e para o parto, mas a amamentação também deve estar dentro do planejamento da futura mãe.

"Na maioria das vezes não é fácil amamentar. Na maternidade, nem todas as mulheres recebem informações corretas e as dificuldades vão surgir quando elas já estiverem em casa, longe dos profissionais", diz a consultora de amamentação e doula Giovanna Balogh, que é idealizadora do site Mães de Peito.

Segundo Giovanna, caso a mãe tenha condições, ela pode fazer um curso de preparação para a amamentação antes do nascimento do filho e buscar o serviço de uma consultora para receber orientações. Outro caminho é buscar auxílio nos bancos de leite.

Uma aliada do aleitamento é a rede de apoio. "Isso é encorajar a mãe a amamentar e não falar que o leite materno é fraco. Vale principalmente para as avós, que querem dar chupeta e mamadeira. É preciso entender que o bebê não precisa de chazinho e água. Tem novos estudos sobre a importância do aleitamento exclusivo até os seis meses."

Mãe de primeira viagem

Há dois meses, a psicóloga e analista de recursos humanos Camila de Mello Silva Barbassa, de 29 anos, ganhou Henrique. Após superar os desafios dos primeiros dias, hoje consegue amamentá-lo com tranquilidade. 

"É muito gratificante poder amamentá-lo. Mas os dois primeiros dias foram muito difíceis. Ele (Henrique) me machucou e (meu peito) sangrou já na primeira pega. Comecei a usar conchas de amamentação e a pomada de lanolina, o que soube pela mãe que estava dividindo o quarto comigo. O Henrique nasceu com 3,1 quilos, saiu com 2,9 kg e hoje está com 5,2 kg", conta Camila.

A psicóloga relata que na maternidade sentiu falta de orientações. "Foi frustrante. Achava que ele viria para os meus braços logo ao nascer. Mas ele nasceu às 23h23 de um sábado e só o encostaram em mim para tirar foto. Ele foi levado para fazer exames e só o vi novamente às 5h30 do dia seguinte."

Camila relata que a procura por uma obstetra em quem confiasse foi difícil. "Iniciei meu pré-natal com um médico e fiz a troca com cinco meses (de gestação). Perguntei como poderia me preparar para a amamentação e ele me disse para ficar tranquila, porque quando meu bico caísse passaria uma pomada para cicatrizar. Achei um absurdo. Já a segunda obstetra disse que não precisaria fazer nenhum procedimento. Ela se focou mais no parto, mas deu algumas dicas."

A jovem também fez um curso para se informar mais sobre o tema. "Gostei muito do curso de gestante. Especificaram bastante sobre amamentação. O restante aprendi sozinha, acompanhando aplicativos e vídeos de mães e pediatras. Minha família, meu marido e muitos amigos também me deram muita força, o que me ajudou muito", afirma.

O que a mãe deve evitar:

  • Consumo de adoçantes que possam fazer mal ao bebê
  • Cigarro
  • Bebidas alcoólicas 
  • Bebidas que contenham cafeína como o café, chá preto ou mate, energéticos e refrigerantes
  • Chocolate deve ser consumido em pequena quantidade
  • Alimentos industrializados. Prefira, na medida do possível, alimentos frescos e naturais
  • Observe se, durante a amamentação, algum alimento está causando gases. Se isso, ocorrer, evite o consumo excessivo para evitar desconfortos na mãe e no bebê
  • Em caso de dúvidas, procure orientações nutricionais com especialistas

Mastite

A assistente de comunicação Marcela Ribeiro Leite, de 30 anos, é mãe da Rafaela, de 1 ano, e admite que achou que a amamentação seria algo natural. 

Uma semana após o nascimento da filha, porém, ela descobriu que estava com mastite -  infecção que acomete a mama e que pode interferir na amamentação. "Fiquei com febre, senti calafrio e fui ao médico. Fui orientada a dar de mamar e tomei antibiótico por quase três semanas. Fiquei com medo de passar a medicação para ela. Consegui superar tudo isso e ela ainda mama muito bem", conta.

Um dos grandes medos das lactantes é ter mastite. "Ela geralmente é causada por uma pega incorreta. Isso causa uma fissura no mamilo, que é porta de entrada para micro-organismos que acometem a mama e causam infecções", explica Gabriela Bezerra dos Santos, obstetra e ginecologista especialista em medicina fetal da unidade Itaim do Hospital e Maternidade São Luiz.

A febre é o principal sinal de alerta, mas, durante a amamentação, a temperatura não deve ser medida na axila. "A axila fica com a temperatura aumentada por causa da produção do leite. O ideal é medir pela boca ou pela testa", afirma Gabriela.

Para evitar o problema, as mães devem fazer a pega correta, evitar água quente nas mamas - algo que faz com que a produção de leite aumente - e não se automedicar.

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A pega correta é a que o bebê abre bem a boca e abocanha a aréola. Mãe e bebê devem estar barriga com barriga.
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Gabriela Bezerra dos Santos, obstetra

O tratamento deve ser feito na fase inicial. "Se descoberta no começo, pode não precisar de intervenção. Há casos que é necessário fazer a drenagem para retirar o pus que se forma. É importante tratar, porque a infecção pode evoluir para a sepse, a infecção generalizada."

 

Alguns cuidados podem ajudar nesse momento único para a mãe e o bebê

  • Coma alimentos ricos em proteína
  • Consuma pelo menos três frutas por dia
  • Coma legumes e verduras no almoço e no jantar
  • Arroz, massa ou batata nas refeições principais (menos de metade do prato)
  • Três doses de laticínios por dia, como um copo de leite, uma fatia de queijo minas e um iogurte, por exemplo
  • O chá de camomila e o de gengibre podem ser ingeridos, mas é importante que a lactante consulte seu médico antes de tomar chá durante a amamentação 
  • Alguns chás não devem ser tomados durante o período de amamentação porque podem alterar o sabor do leite ou provocar desconforto ao bebê 
  • Beba muito água. Mantenha sempre uma garrafinha  ao seu lado, principalmente quando estiver amamentando

Sala de amamentação

Marcela Ribeiro Leite pretende amamentar sua filha até os 2 anos. Para ela, que voltou a trabalhar quando a Rafaela estava com 4 meses e meio, a sala de amamentação no serviço trouxe tranquilidade. "Comecei a fazer o estoque duas semanas antes de voltar ao trabalho. Depois, comecei a tirar leite. Na empresa onde trabalho (Central Nacional Unimed), temos uma sala de amamentação, o que me permitiu continuar com o aleitamento. Posso tirar e armazenar o leite no horário do expediente. Também conto com a compreensão das minhas gestoras", conta ela.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) possui um guia para implementação de salas de amamentação em empresas. Entre as recomendações, estão a instalação de um lavatório, a aquisição de freezer ou refrigerador com congelador e de poltronas ou cadeiras impermeáveis.

O ambiente deve ser tranquilo e com privacidade. "Recomenda-se que a cada 400 trabalhadoras em idade fértil seja disponibilizada uma poltrona para a retirada do leite do peito", indica a agência. 

Bancos de leite

Muitas mães se veem com uma produção de leite maior do que o consumo de seus bebês. Uma opção é doar o leite excedente para bancos de leite e ajudar bebês que nascem prematuros ou com patologias no trato gastrointestinal e que não podem ser amamentados por suas mães.

Desde 1998, o País conta com a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), que tem mais de 220 bancos e 200 postos de coleta de leite humano. É possível consultar os locais para doação no site da rede.

A ordenha pode ser manual ou com o uso de bombas. O leite deve ser armazenado em vidros esterilizados e guardados no congelador ou freezer por até 15 dias. Todas as orientações podem ser vistas aqui

O leite doado passa por um rígido controle de segurança e é pasteurizado antes de ser oferecido para as crianças.

"A doação é importante para o prematuro e para o filho da doadora de leite, porque vai aumentar a produção de leite. A mulher também já aprende sobre a retirada do leite e fica mais fácil manter a amamentação quando ela voltar ao trabalho", diz Andrea Spinola, coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, no Belenzinho, na zona leste da capital.

Ela diz que não precisa produzir grandes quantidades de leite para poder doar. "A mulher pode colocar 20 ou 30 ml por dia. Ao fim de dez dias, vai ter 200 ou 300 ml e qualquer doação faz diferença para os bebês prematuros", conta Andrea. Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, um litro de leite materno pode alimentar até dez recém-nascidos por dia.

"O bebê tem uma evolução muito melhor do que o que é alimentado com fórmula. O leite materno reduz o risco de infecção. Os benefícios são inúmeros."

No Estado de São Paulo, há 59 bancos e 39 postos de coleta de leite. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a distribuição de leite pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 24,4%, passando de 34 mil litros em 2015 para 43 mil em 2018.

Andrea explica que os bancos de leite também podem ser procurados quando as mães tiverem dúvidas ou problemas relacionados ao aleitamento.

"Os bancos são polos de incentivo à amamentação. As mães podem ir quando estiverem com a mama ingurgitada, quando há excesso de leite e ela fica empedrada, para aprender sobre a pega correta, em casos de fissuras e traumas mamilares."

Segundo o Ministério da Saúde, a amamentação é capaz de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de 5 anos.

"Ela protege a criança de doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias. Além disso, reduz o risco de a criança desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes, sobrepeso e obesidade na vida adulta", diz Andrea.  

"Eu tinha muito leite e aproveitei para doar. Em média, 1 litro por semana. Foi importante ajudar bebês prematuros que não conseguem mamar e precisam do leite", complementa Marcela Ribeiro Leite, mãe da Rafaela, de 1 ano.

Confira abaixo o vídeo da campanha  do Ministério da Saúde: 

 

Dificuldades na amamentação

Nem todas as mães conseguem amamentar ou são orientadas sobre a amamentação. A dona de casa Lígia Guedes, de 39 anos, é mãe do Lucas, de 18 anos, e do Pedro, de 11 anos. Ela faz uso diariamente dos remédios controlados Gardenal e Topiramato. 

"Os médicos disseram que meus remédios passavam para o leite. No caso do Pedro, ainda na maternidade as enfermeiras me orientaram sobre o banco de leite e ele mamou até sairmos do hospital. No início, chorei muito porque tinha leite. Eu tirava para jogar fora. Gostaria de ter recebido mais orientações na época. A gente acaba sendo muito julgada. Mas acredito que independentemente da forma de amamentar, mãe é mãe. Hoje, meus filhos estão grandes e o amor é incondicional", lembra ela.

Há medicamentos que passam para o leite, mas nem sempre interferem na amamentação. É preciso seguir as orientações médicas. Nem sempre é preciso suspender a amamentação, observa Maria Cecília Hyppolito, pediatra e neonatologista do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo.

A jornalista Adriana Kinoshita, de 45 anos, mãe de Vinícius, de 6 anos, lamenta a experiência que teve com a amamentação e reforça que sentiu falta do apoio de profissionais da saúde.

"Fiquei muito tensa durante a gravidez porque queria parto normal, mas precisei fazer cesária. Acho que isso mexeu com meu emocional. No primeiro mês, meu filho ficava no peito, mas não estava mamando o suficiente e começou a perder peso. Mesmo com a bomba elétrica, eu só conseguia tirar 20 ml. Comecei a dar fórmula. Foi bom ver que ele estava ganhando peso, mas fiquei triste porque queria amamentar. Continuei oferecendo o peito até o quarto mês. Depois meu leite secou. Não foi um processo fácil", relembra Adriana. 

Segundo Valdmário Rodrigues Júnior, obstetra e especialista em amamentação da Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande (MS) , de cada dez gestantes, somente uma recebe informações sobre amamentação. Ele salienta que o acolhimento é fundamental até para evitar depressão pós-parto. 

"O sucesso da amamentação se inicia no momento em que a mãe recebe orientação adequada no pré-natal e durante o parto. Até 60 dias após o parto, é recomendável buscar informações sobre a amamentação", ressalta o especialista em amamentação. 

Com relação às mães que não conseguem amamentar, ele lembra que é preciso dar suporte a elas. "O médico precisa dar suporte para as mães que não conseguem amamentar e respeitar a paciente que não quer amamentar. Deve estar preparado para acolher essa mãe, diagnosticar o motivo e dar orientações sobre alternativas para alimentar o filho corretamente por meio de banco de leite ou com o uso de fórmula", destacou ele.

Outras dicas para quem amamenta:

  • Livre demanda. Permita que o bebê mame até que esteja totalmente satisfeito. Mas se for preciso tirá-lo do peito em alguma ocasião, coloque o dedo mínimo no canto de sua boca, entre as gengivas, para não machucá-lo
  • A pega correta do seio evita rachaduras nos seios da mãe 
  • A sucção correta estimula a produção de leite 
  • A boca do bebê deve pegar toda a aréola, que é a parte mais escura do seio, e o queixo deve estar encostado no peito 
  • Procure amamentar em ambiente confortável
  • Esvazie bem o primeiro seio antes de oferecer o outro à criança
  • Retire um pouco de leite manualmente para amaciar a aréola, antes da mamada, e passe leite materno nos seios após o bebê mamar para evitar ou curar rachaduras
  • Lave os mamilos com água e sabonete neutro 
  • Converse com outras mães que amamentaram durante bastante tempo
  • Em caso de dor, rachadura, sangramento no bico do seio e mamas empedradas, procure auxílio de especialistas 
  • Se o bebê dorme a noite toda e está ganhando peso, indica que está mamando bem 
  • Não existe leite fraco. Além de fome, o bebê também chora quando está com algum desconforto e quer aconchego. É preciso verificar todas as situações 
  • Converse e faça carinho no bebê durante a amamentação

Leis sobre os direitos da amamentação

Em vigor desde 2000, a lei nº 10.048 garante que as mães que amamentam também têm direito ao atendimento preferencial em repartições públicas e instituições financeiras, além de assentos reservados no transporte público. Para evitar constrangimentos, a mãe pode apresentar um atestado médico informando que está amamentando.

Em abril de 2015, foi sancionada a lei que impede que mulheres que estão amamentando em público passem por situações de constrangimento na cidade de São Paulo. Em dezembro do mesmo ano, a Lei Nº 16.047 ampliou o direito para todo o Estado de São Paulo. O desrespeito ao ato em estabelecimentos de uso coletivo, públicos ou privados, pode ser punido com multa de 24 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (UFESPs), que corresponde a R$ 636,72, valor que pode ser dobrado em caso de reincidência.  

Mito ou verdade? Teste seus conhecimentos sobre amamentação

Existe leite fraco? Dar de mamar faz os peitos caírem? Tire suas dúvidas sobre aleitamento materno com base em informações da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.

 
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