Seminário discute mau cheiro, problema de saúde pública

O mau cheiro proveniente de estações de tratamento de esgoto (ETE) ou de aterros sanitários é uma preocupação recente no Brasil na área de saneamento ambiental. O desconforto provocado pelos odores ou barulho que vêm desses locais é visto, agora, como um problema de saúde pública e abriu uma nova frente de trabalho. O tema, que ganha grande dimensão na atualidade, será abordado pelo professor Paulo Belli Filho, do Departamento de Engenharia Sanitária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em palestra no III Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública. O evento, promovido, pela Funasa, iniciou-se ontem e irá até 31 de março, no Marina Park Hotel, em Fortaleza (CE). Estresse Os odores e outros desconfortos provenientes de ETEs e aterros sanitários podem gerar problemas de saúde como estresse, mal-estar e dores de cabeça. "São coisas que causam grande desconforto para as pessoas que têm que conviver próximas a essas áreas", destaca o professor. Segundo Paulo Belli, o problema é antigo, mas a preocupação com ele é recente no Brasil. "Até pela falta do domínio de tecnologias para combater o problema, não se investia fortemente nessa área", explica. Esse quadro, no entanto, mudou e já existem formas de medir e tratar os odores de maneira simplificada e de baixo custo. 'Hoje, temos como tratar este problema de forma biológica e ecológica, sem apresentar riscos para os operadores, ou seja, sem a utilização de produtos químicos que podem causar danos à saúde", afirma. Medição A medição do odor pode ser feita de várias formas, entre as quais com aparelhos como o olfatômetro, com um júri ou mesmo com a percepção de pessoas preparadas para isso. Constatado o problema, é possível determinar os compostos químicos responsáveis pelo mau cheiro e tratá-los. O professor coordena na UFSC uma pesquisa financiada pela Funasa que busca o tratamento dos odores de forma biológica e ecológica. O processo utilizado, chamado biofiltração, utiliza bactérias que degradam os compostos odorantes e purificam o ar. "É um processo simples em todas as fases, desde a implementação à manutenção", garante. O trabalho coordenado por Paulo Belli será apresentado no III Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública em uma das quatro mostras programadas. São elas: III Mostra de Experiências Bem-Sucedidas, III Mostra de Estudos e Pesquisas da Funasa, I Mostra de Pesquisas da Funasa e I Mostra de Dissertações de Cursos de Mestrado. No seminário, os cerca de 1,2 mil participantes esperados irão discutir e avaliar as políticas públicas de saneamento ambiental e de inclusão social, as estratégias de sustentabilidade dessas ações e difundir as experiências bem sucedidas de engenharia de saúde pública. O debate envolverá profissionais de instituições públicas, privadas, organizações não governamentais, associações de usuários, universidades e institutos de pesquisa nacionais e internacionais. As inscrições podem ser feitas até o dia 20 próximo. Serviço: III Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública De 26 a 31 de março, no Marina Park Hotel, em Fortaleza (CE) Inscrições: www.funasa.gov.br - banner Banco de Experiências bem-sucedidas

Agencia Estado,

27 de março de 2006 | 11h54

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