Ministério da Defesa/Divulgação
Imagem interna do avião que vai transportar os brasileiros que serão trazidos de Wuhan Ministério da Defesa/Divulgação

Senado aprova projeto com regras de quarentena e de combate ao coronavírus

Texto que foi apresentado pelo governo segue agora para sanção do presidente Jair Bolsonaro; neta quarta, 5, dois aviões deixaram o país para resgatar brasileiros que estão em Wuhan, epicentro da doença

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 18h06

BRASÍLIA - O Senado aprovou, nesta quarta-feira, 5, o projeto que prevê regras para quarentena e medidas de enfrentamento do coronavírus. Com a aprovação, o texto seguirá para sanção do presidente Jair Bolsonaro e poderá virar lei imediatamente após a confirmação do chefe do Planalto.  O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que Bolsonaro vai sancionar o projeto entre esta quarta e quinta-feira, 6, de manhã.

A aprovação da proposta no Congresso foi rápida. O projeto foi enviado pelo governo nesta terça-feira, 4, passou pela Câmara e agora teve a chancela do Senado. Nesta quarta, dois aviões da frota presidencial deixaram o País para resgatar pelo menos 34 brasileiros em Wuhan, cidade da China, o epicentro do novo coronavírus.

A proposta prevê regras para o isolamento, a quarentena e a realização compulsória de exames em pacientes suspeitos de estarem infectados com o vírus no Brasil. Na Câmara, os deputados alteraram o texto para garantir a vigência das medidas enquanto perdurar o estado de emergência internacional relacionado ao coronavírus.

A falta de uma legislação específica sobre quarentena poderia dar margem para que as pessoas trazidas de volta ao Brasil se recusem a ficar isoladas. Com a lei, governo poderá determinar a "restrição excepcional e temporária de entrada e saída do País por rodovias, portos ou aeroportos".  

As pessoas submetidas à quarentena deverão ser informadas permanentemente sobre o estado de saúde próprio. A família também deverá receber assistência e o tratamento terá de ser gratuito. Não houve alterações no conteúdo da proposta durante a votação no Senado. 

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Brasil tem 11 suspeitas de coronavírus; governo gastará R$ 140 mi em insumos

Ministério da Saúde fará aquisição emergencial de produtos como máscaras, luvas e óculos de proteção

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 16h50

SÃO PAULO - O número de casos suspeitos de coronavírus no Brasil caiu para 11, segundo boletim divulgado na tarde desta quarta-feira, 5, pelo Ministério da Saúde. No boletim de terça-feira, eram 13 infecções em investigação. De acordo com a pasta, cinco casos foram descartados nas últimas 24 horas (um em Santa Catarina e quatro em São Paulo), mas três novos registros foram notificados (um pelo Rio Grande do Sul e dois por São Paulo).

No balanço atual, portanto, quatro Estados brasileiros seguem com casos em investigação: Rio Grande do Sul (5), São Paulo (4), Santa Catarina (1) e Rio de Janeiro (1). Outros 21 registros suspeitos já foram descartados. De acordo com o ministério, a maioria dos pacientes com diagnóstico descartado apresentavam, na verdade, o vírus da gripe (influenza).

O ministério também divulgou o valor que deverá ser gasto com a compra emergencial de equipamentos de proteção para profissionais de saúde e outros agentes públicos que podem ter contato com casos suspeitos. Serão R$ 140 milhões direcionados para a compra de itens como máscaras, luvas, óculos, aventais, entre outros.

"Vamos trabalhar com um cenário intermediário (de número de casos). Esse é o valor que temos. O ministério não tem tradição de adquirir esses itens (são Estados e municípios que compram), então pode ser que tenhamos uma redução do preço por causa da escala", disse João Gabbardo dos Reis, secretário-executivo da pasta.

Ele ressaltou, no entanto, que pode haver dificuldade de comprar os itens pela possibilidade de o mercado estar desabastecido. "Se não conseguirmos no mercado nacional, podemos abrir uma licitação para adquirir no mercado internacional insumos sem registro", destacou o secretário.

Leitos de UTI

Gabbardo dos Reis detalhou ainda como será a contratação, também extraordinária, de mil leitos de UTI caso haja um surto de coronavírus no País. "O que o ministério vai propor aos Estados é que esses leitos já fiquem com o processo de licitação concluído, prontos para serem instalados e vamos colocando de acordo com a demanda pelos casos. As empresas vencedoras terão o prazo de uma semana para colocar os leitos em funcionamento", disse ele.

O secretário afirmou que os leitos serão disponiblizados nos hospitais de referência dos Estados que tiverem necessidade, conforme a eventual confirmação de casos. Nos 12 primeiros meses, os leitos serão custeados pelo ministério. Ao fim do contrato, eles serão doados para as unidades que os receberão, que passam, então, a ser responsáveis pelo custeio. "A estimativa de custo é de R$ 20 mil a R$ 30 mil por leito por mês", disse.

Na China, epicentro do surto e onde mais de 24 mil casos da doença já foram confirmados, o governo tem construído hospitais novos em poucos dias para atender as vítimas da doença. A promessa é entregar 11 hospitais temporários em 12 dias na cidade de Wuhan, local mais afetado pelo surto.

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Aviões decolam para buscar brasileiros em Wuhan, epicentro do surto de coronavírus na China

Expectativa é de que frota presidencial volte de Wuhan ao Brasil no sábado, 8, com 29 pessoas a bordo

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 13h06

BRASÍLIA - Dois aviões da frota presidencial deixaram o País por volta das 12h20 desta quarta-feira, 5, para resgatar os brasileiros em Wuhan, cidade da China que se tornou o epicentro do novo coronavírus. A previsão é que o grupo retorne no sábado, 8, quando será colocado em quarentena de 18 dias na base aérea de Anápolis (GO).  O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, afirmou que o Brasil não tinha aeronave adequada para fazer o resgate. Por isso, houve uso das aeronaves do presidente Jair Bolsonaro

No total, o governo vai repatriar 34 brasileiros, mas o número pode aumentar até sexta-feira, 7, data prevista para chegada na China e imediato retorno, indicou o secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno.  "O governo Bolsonaro deu uma resposta bem rápida", afirmou Azevedo. Questionado pelo Estado sobre o fato de países europeus e o Japão já terem iniciado as tratativas e até o efetivo resgate de seus cidadãos, o ministro disse que as condições são "diferentes". O Brasil só decidiu realizar a busca no domingo passado. A missão foi planejada e preparada, com envio de equipamentos do Rio, em 48 horas.

"Olha as distâncias, os recursos que eles têm. A Força Aérea não tinha avião para buscar, esse aí é do presidente. Olha a diferença", afirmou o general. Segundo ele, não havia também aeronaves de uso militar disponíveis. "Não tem. O KC-390 que seria o avião indicado, foi entregue o primeiro e estamos em fase de testes. Estamos muito defasados em relação a isso aí."

O Comando da Aeronáutica destacou dois aviões “emprestados” da frota presidencial para realizar a missão - os modelos Embraer 190 possuem desenho interno para o transporte de autoridades. Eles não passaram nenhuma adaptação específica. Os dois VC-2, modelo Embraer 190, têm capacidade para 30 passageiros cada, fora as equipes médicas e tripulação de 11 militares. Em cada aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), irão tripulantes e sete médicos, sendo seis militares e um infectologista especialista em epidemias do Ministério da Saúde. Além disso, haverá um cinegrafista da Empresa Brasil de Comunicação.  

Os 34 passageiros serão divididos entre as duas aeronaves, para minimizar riscos de infecção. O médicos também devem se revezar a cada três horas no contato com os passageiros a bordo. “E o pessoal chegando, inclusive nosso pessoal da Força Aérea, mais de uma dezena de militares, quando voltar também vão passar o carnaval em quarentena. Então, é responsabilidade acima de tudo trazendo esse pessoal de lá para cá", disse Bolsonaro.

Apesar da margem para a retirada de mais pessoas de Wuhan, conforme o oficial, um eventual aumento no número de passageiros poderia “atrasar” a missão de resgate.  Os voos são planejados de acordo com a capacidade de transporte de peso, o que inclui neste caso equipamentos médicos, e a autonomia da aeronave, que pode necessitar de mais ou menos paradas para cumprir o percurso. O plano é que a missão dure 62 horas, entre a saída e o retorno ao Brasil.

Até o momento, a China já confirmou 490 mortes pelo coronavírus e mais de 24 mil infectados. Não há infecções confirmadas no Brasil. Nesta terça-feira, 4, a Câmara dos Deputados aprovou o texto com as regras da quarentena e do resgate dos brasileiros. No projeto, a quarentena é definida como “restrição de atividades ou separação de pessoas suspeitas de contaminação das pessoas que não estejam doentes ou de bagagens, contêineres, animais, meios de transporte ou mercadorias suspeitos de contaminação, de maneira a evitar a possível contaminação ou a propagação do coronavírus”. O texto ainda vai passar por análise de Senado.

A previsão da FAB é que os aviões aterrissem em Wuhan na madrugada de sexta-feira, 7, e iniciem um trecho de retorno no mesmo dia, embora operações semelhantes de outros países tenham apresentado atrasos nos trâmites de embarque por causa dos protocolos de saúde. A chegada ao Brasil é prevista para a manhã de sábado, 8.

Voo terá escala na Espanha e na Polônia

Na terça-feira, dia 4, dois Legacys da FAB já haviam decolado com equipes de bordo e técnicos de aeronave farão revezamento em escala prevista na Polônia. Os aviões param em Fortaleza, Las Palmas (Espanha), Varsóvia (Polônia) e Urumqi (China), antes de pousar em Wuhan. O trajeto de volta é o mesmo, porém com pouso previsto para ocorrer na madrugada de sábado em Anápolis (Goiás), onde ficarão em quarentena de 18 dias. Após inspeções e exames feitas por autoridades chinesas no próprio aeroporto, só serão liberados para embarque de volta ao País os brasileiros que não apresentarem sintomas de infecção pelo novo coronavírus.

"Todas as pessoas que vão embarcar estão sadias, não há nenhuma evidência do vírus", disse Damasceno. Como os passageiros resgatados podem apresentar evolução nos sintomas durante o voo de volta, as equipes médicas militares foram treinadas pelo Instituto de Medicina Aeroespacial para realizar uma evacuação e instalar um equipamento "bolha" no paciente. No retorno, os médicos usarão máscaras com especificação a bordo para evitar infecção no contato com os passageiros.

 

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Veja quais são os sintomas e como se prevenir da doença

Um vazamento de amônia líquida em uma unidade de refrigeração em uma instalação de armazenamento a frio em Xangai matou ontem 15 pessoas e feriu outras 26, informaram autoridades locais. O vazamento ocorreu na Weng's Cold Storage Industrial Co., localizada no distrito de Baoshan. A China, segunda maior economia do mundo, tem um histórico de problemas de segurança no trabalho. Em junho, 120 pessoas morreram em um incêndio em uma unidade de processamento de frango em Jilin.

Recém-nascido é diagnosticado com coronavírus

Caso indica possibilidade de transmissão no útero ou durante o parto; até o momento, China já confirmou ao menos 490 mortes e mais de 24 mil pessoas infectadas

Redação, Agências internacionais

05 de fevereiro de 2020 | 13h53

Uma mulher diagnosticada com o novo coronavírus em Wuhan, cidade da China que se tornou o epicentro do coronavírus, deu à luz um bebê que também contraiu a doença segundo informações da BBC, divulgadas nesta quarta-feira, 5. 

O caso indica a possibilidade de o bebê ter sido contaminado ainda no útero da mãe ou durante o parto. De acordo com a emissora estatal CCTV, o bebê apresenta sinais vitais estáveis.

O recém-nascido é o paciente mais jovem diagnosticado com o novo coronavírus. 

Na segunda-feira, 3, a agência de notícias Xinhua informou que outro bebê, filho de mãe infectada, nasceu no país, mas sem indícios da doença.

Até o momento, a China já confirmou ao menos 490 mortes pelo novo coronavírus e mais de 24 mil pessoas infectadas.

Sem casos confirmados

O governo brasileiro também acompanha casos suspeitos da doença e enviou nesta quarta-feira, dois aviões da frota presidencial para resgatar brasileiros em Wuhan. A previsão é de que o grupo retorne no sábado, 8, quando será colocado em uma quarentena de 18 dias na base aérea de Anápolis (GO). 

 

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Gilles Lapouge
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Gilles Lapouge - 'É preciso ser muito estúpido para hostilizar um chinês'

É preciso ser muito estúpido para hostilizar um chinês porque em uma das províncias da China (cuja existência a maioria ignorava até ontem) havia um vírus perigoso adormecido

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 13h00

Um dos efeitos colaterais desse coronavírus que apareceu na província chinesa de Hubei é a confirmação de que o racismo está latente em todos os cantos do mundo, vindo à tona por qualquer motivo.

Nos primeiros dias do surto, o Ocidente reagiu com admiração aos esforços da China. Elogiávamos a seriedade e a energia com as quais Pequim combatia os minúsculos invasores invisíveis. Para o surto não se propagar, dezenas de milhões de chineses foram confinados em seus campos e cidades.

Dizíamos que as massas chinesas davam prova de um sangue-frio e de uma disciplina notáveis. E nos embasbacávamos com esse povo capaz de construir, quando se tornou necessário, um hospital completo em apenas dez dias, com equipamentos sofisticados, 2 mil leitos e um batalhão de enfermeiros prontos para utilizar esse material.

Mas tanta dedicação e competência não desarmou o medo e as críticas de outros países. Mesmo a província chinesa de Hong Kong, cujo status, é verdade, é singular, em vez de mandar ajuda à China continental viu, ao contrário, seus médicos entrarem em greve para exigir das autoridades locais que fechassem a fronteira com o continente chinês.

O Le Monde informou na edição desta terça-feira que o Cazaquistão e as Filipinas, dois parceiros essenciais na “nova Rota da Seda” lançada em 2013 por Xi Jinping, fecharam todos os seus acessos. Na Europa, um país que deverá ser destaque na Rota da Seda é a Itália. Mas Roma também está fechada para os turistas chineses. Ora, é preciso ser muito estúpido para hostilizar um chinês porque em uma das províncias da China (cuja existência a maioria ignorava até ontem) havia um vírus perigoso adormecido.  A Rússia, igualmente, cerrou as cortinas.       

Assim, ao longo da futura Rota da Seda está constituído um arquipélago de territórios confinados, como a província chinesa de Hubei. Do lado da China, no início Xi Jinping dedicou ao flagelo apenas um dos discursos curtos e óbvios que faz de quando em quando. Em seguida, voltou a se fechar em seu silêncio.

Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) por fim decretou estado de urgência internacional frente à epidemia, a única reação oficial de Pequim também foi sucinta: o ministro do Exterior chinês declarou brevemente que a China continuará trabalhando com a OMS e outros países. E na imprensa e TV voltaram as críticas à “histeria da mídia ocidental” que ouvimos após os primeiros avanços do coronavírus. Onde, pois, colocar o cursor? /TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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